ALGUNS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

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- EDUCAÇÃO NO BRASIL - 

ALGUNS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

 

Arnaldo Niskier

 

 

O Clube Militar (“A Casa da República”) completa o 130º aniversário de sua fundação, colocando em debate um tema essencial: a Educação.

A minha ligação com o espírito militar vem de longe. Quando alcancei a idade para o serviço militar, optei pelo CIORM (Centro de Instrução de Oficiais da Reserva da Marinha). Segui a orientação de um amigo e fiz o concurso do CIORM. Tirei o 6º lugar, mas não pude ficar no Corpo da Armada por causa dos óculos. Fui deslocado para a Intendência, onde fiquei na boa companhia de uma série de colegas.

A questão da Educação é estratégica para atingir o estágio de desenvolvimento que almejamos como nação. Em 1915, no Salão Nobre do Clube Militar, com o intuito de chegar ao centenário da Independência (7 de setembro de 1922) sem analfabetos, instituiu-se a “Liga Brasileira Contra o Analfabetismo” (LBCA), movimento que se espalhou pelo País, envolvendo vários segmentos da sociedade. Ao aproximarmo-nos do bicentenário da Independência, aquele objetivo, infelizmente, ainda está longe de ser alcançado.

Desde 2013, as escolas públicas brasileiras seguem o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), uma iniciativa para estimular que as crianças estejam plenamente alfabetizadas aos 8 anos, no 3º ano do fundamental. Mesmo assim, não é isso o que acontece na realidade. Dados da Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA) de 2014 mostraram que um quinto dos alunos da rede pública chegou ao 4º ano do fundamental sem aprender a ler adequadamente. Os números são alarmantes: temos 14 milhões de analfabetos no país.

As mudanças de grande amplitude que caracterizam a sociedade contemporânea vêm causando um impacto de proporções inéditas no campo educacional, particularmente no que concerne à juventude. O aumento crescente da demanda por mais escolaridade, a busca por novas formações, a necessidade de percursos curriculares mais flexíveis, a existência de recursos pedagógicos tecnologicamente avançados, o advento da internet e das redes sociais e a comprovada limitação das metodologias mais ortodoxas tornam evidente que a escola, como é hoje, não atende às expectativas e necessidades da juventude brasileira.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) abre uma nova fase na educação brasileira. A prioridade será Português e Matemática. Para que o guia curricular anunciado passe a valer em 2019, após apreciação final do Conselho Nacional de Educação – que ainda vai levar um ano – será preciso investir na infraestrutura das escolas do país inteiro. As escolas terão dois anos para se adequar às novas diretrizes.    Maior do que qualquer administração, a Base é um esforço do Estado brasileiro, prevista na Constituição, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e no Plano Nacional de Educação. Por si só, o documento não mudará o cenário atual. Para que transforme a vida de milhões de crianças e adolescentes, precisa-se da estreita colaboração de todas as esferas de governo.

Ao longo da história a escola foi adaptando-se às novas tecnologias. Num primeiro momento a educação formal era baseada em aulas expositivas, com o enfoque no discurso do professor. Atualmente, temos diversas mídias educacionais. O grande desafio é saber utilizá-las de modo eficiente e permitir que elas contribuam com as práticas pedagógicas. O professor deve atualizar-se nas tecnologias inovadoras e descobrir-se um facilitador do processo educacional, reinventando um conjunto de ações didático-pedagógicas. A incorporação das novas tecnologias ao ensino não pode descuidar da investigação acerca da realidade em que os docentes estão inseridos, especialmente sua prática pedagógica, formação e experiências. Esses elementos poderão ser determinantes para modificar a ação docente.

Prevê-se a valorização do ensino técnico-profissional de que o país tanto carece. O ensino médio deve oferecer habilidades e competências aos alunos segundo suas escolhas pessoais – e de acordo com as variações do mercado. É o que faz com sucesso o Sistema S desde a década de 50, com a boa tradição dos seus cursos profissionalizantes.

Faltam investimentos na qualificação de professores. Faltam também laboratórios e bibliotecas. O Brasil tem cerca de 200 mil escolas, a maioria sem bibliotecas e laboratórios compatíveis. Diante disso, como oferecer aos nossos educandos a possibilidade de uma educação de qualidade? É essencial corrigir essas falhas.

Arnaldo Niskier da Academia Brasileira de Letras, Professor Honoris Causa da Unicarioca, presidente do CIEE/Rio.


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