Campanha pela Moralidade Nacional

Topo Campanha [08abr15]

MORALIDADE

AÇÕES POR UM BRASIL DIGNO E DEMOCRÁTICO

Carlos Oscar Cruz Ferreira

A degradação moral em nossa sociedade tem crescido nas últimas décadas. Na diária observação do nosso proceder social, nestes dias confusos das mídias interativas onde a intimidade expõe sua vulgaridade, vejo como oportuna a Campanha pela Moralidade proposta por nosso Clube Militar.

Raro assistirmos nos noticiários de maior penetração popular fatos que reforcem a cidadania e o patriotismo. Raríssimas e honrosas exceções mostram algum patrício numa atitude que favoreça o bem comum, a urbanidade e a ética.

Como a moral ajusta-se nas bases do caráter, sempre teremos alguma dificuldade em caracteriza-la. Conforme Bertrand Russel, filósofo e matemático galês: – “A humanidade tem dupla moral; uma prega mas não pratica, outra pratica mas não prega.”

Conhecemos nossas inúmeras limitações como humanos. O ‘Projeto Genoma’ mostra nossa proximidade dos grandes primatas; sob a visão evolucionista comparada das espécies.

Com o explosivo crescimento demográfico dos últimos séculos, aliado ao consumismo fácil e descontrolado de hoje, constatamos a fundamental importância da educação. Com o objetivo de controlar o orangotango que habita em cada um de nós. . .

No comportamento das espécies vemos o instinto da mãe proteger a prole, o pai em provê-la da subsistência, e a família natural ensinar os filhotes a sobreviver.

Intuímos ser a espécie humana, por sua autoconsciência e capacidade racional, a que mais impacta e modifica o planeta. Naturalmente a célula familiar foi e deve ser a primeira, a mais marcante e a mais eficaz formadora do caráter e da moral do indivíduo. Contudo, hoje já não é bem isso que ocorre. A instituição familiar tem sido alvo de claras e contestatórias críticas. Sua dissolução mostra ser um propósito do liberalismo social. O entretenimento midiático há anos, nesta Pindorama desvairada, usa tal mote na competição por audiência . . .  A solapar básicos valores.

As dificuldades de entendermos nossos desígnios na vida, nos fez apelar para a religiosidade, que por sua vez atende, bem ou mal, nossa espiritualidade. Portanto o espiritualismo, através da religião, é um complemento importantíssimo da educação; na formação do ser para a sociedade. Com um viés ético, na máxima “não faças a outrem o que não queres que façam a ti”. Mas hoje, não vejo como prioridade social a necessidade, nem mesmo o interesse de usar ou recorrer a esse instrumento didático na formação integral dos indivíduos.

De um modo geral o poder, representado pelos governos e seus grupos de sustentação econômica, verbaliza com demagogia o apreço à educação pública e privada. Sabe da própria responsabilidade em proporcioná-la eficaz às crianças e adolescentes; acompanhando e fiscalizando-a. Mas tem sido omisso. Essa educação formal, complementar à induzida ou transmitida pelas famílias e pelas religiões, deve ter um especial foco na formação do cidadão. Uma obrigação do Estado. No Brasil, tão descuidada e preterida. . .

Assim, identifico as causas básicas do aumento da nossa carência de cidadania, caráter e de espírito público, que implicam na falta de ética, coincidente com a dissolução da FAMÍLIA. Seguidas pelo desinteresse na RELIGIOSIDADE, que consolida o egoísmo decorrente, promovido pelo MATERIALISMO. Onde o deus é o dinheiro e o mercado o grande templo dos negócios. Naturalmente com suas regras de perde e ganha.

Para complicar, a sobrevivência do homem no planeta, em face da atual densidade populacional, torna-se mais competitiva, estressante, cruel e descontrolada.

Inserido nesse contexto, o Brasil se recente, sobretudo, de cidadania, de espírito público e honestidade no conviver da grande maioria do seu povo. Além da falta de autênticas e legítimas lideranças políticas que de fato busquem o bem comum. Pois ‘o exemplo é uma pregação silenciosa’. E o modelo da atual gestão pública é irresponsável, perdulário, inconsequente e corrupto. Sob uma justiça morosa, leniente e pouco eficaz.

Os desgovernos ocorridos pós 2002, com um discurso promissor e mentiroso, desmoralizaram e minaram a confiança na máquina estatal. Confundiram interesses e planos partidários para perpetuar-se no poder, em detrimento dos propósitos do Estado. Estupram a democracia, ao aparelhar os três poderes da República com quadros ineptos, e sem pejo de locupletar-se do erário. Obtém aprovação de leis benignas, e conseguem a impunidade no favorecimento ilícito, com o tráfico de influência e no leilão de propinas. A desconfiança é grande na manipulação dolosa da contagem dos votos, num sistema eleitoral eletrônico tido como viciado pela maioria menos ingênua da população. Assim, não vejo moral, competência, confiança nem legitimidade na atual mandatária reeleita no apertado pleito de 2014.

Resta-nos, individualmente, tentar um ‘código de ética’ e praticá-lo diuturnamente. Na esperança de que o aprimoramento de cada cidadã e cidadão induza e consolide o salto de qualidade na maioria da sociedade. Ao fazermos da cidadania um hábito nacional. Campanhas em todas as comunidades, usando os inúmeros meios de comunicação disponíveis, se de fato houver vontade nos formadores de opinião e da população, por certo mudaremos nosso Brasil para melhor. A despeito dos aproveitadores interessados em que nada disso ocorra.

Ao finalizar, submeto dois exemplos singelos e práticos à consideração do paciente leitor, para iniciarmos uma melhoria em nós próprios, com muita determinação, fé, esperança e disciplina.

O Escotismo, criado pelo coronel do exército Britânico – Sir Baden-Powell –  em 1907, até hoje prepara jovens para a vida cidadã. Seguem 10 dicas, sintetizadas dos “Mandamentos do Escoteiro”.

1. O escoteiro é digno de confiança;
2. O escoteiro é leal;
3. O escoteiro é útil e ajuda ao próximo;
4. O escoteiro é amigo de todos e irmão dos demais escoteiros;
5. O escoteiro é cortês;
6. O escoteiro é amigo dos animais e das plantas;
7. O escoteiro respeita seus pais, seu monitor e seu chefe escoteiro;
8. O escoteiro sorri nas dificuldades;
9. O escoteiro é econômico e respeita o bem alheio; e
10. O escoteiro é limpo em pensamento, palavra e ação.

O Papa Francisco neste tempo quaresmal sugere 15 atitudes simples e práticas, que auxilia ao bom conviver na sociedade, na comunidade. Onde o verbo (ação) AJUDAR é recorrente, a lembrar-nos da CARIDADE:

1. SORRIR. O cidadão cristão deve ser alegre;
2. AGRADECER. Mesmo que não precise fazê-lo;
3. LEMBRAR aos outros que você os ama;
4. CUMPRIMENTAR as pessoas do seu convívio diário;
5. OUVIR, sem preconceito e com amor, seu interlocutor;
6. AJUDAR, quando alguém precisa;
7. INCENTIVAR quem estiver desanimado;
8. ALEGRAR-SE das qualidades e realizações dos outros;
9. DOAR objetos e bens que não usa mais a quem deles precisa;
10. AJUDAR, quando necessário, no que o outro precise;
11. CORRIGIR com amor, e não calar por escrúpulo ou medo;
12. USAR BOAS MANEIRAS com os que estão próximos;
13. LIMPAR e arrumar o que você usa em casa ou no trabalho;
14. AJUDAR os outros a superar obstáculos; e
15. LIGAR para seus pais, falar mais com eles.

O somatório dessas ações individuais, que perfaz 25 modestas dicas, pode melhorar nossos relacionamentos, até mesmo nossas vidas. Sempre há tempo para progredir. Além da esperançosa consequência de consolidar a cidadania em nosso povo; em especial como candidato ou eleitor. Mas não podemos esquecer de acompanhar, fiscalizar e denunciar (quando for o caso) os representantes eleitos (por nós ou não). Com denodo, paciência e persistência buscar as respectivas ouvidorias do Executivo e do Legislativo para questionar, reclamar e delatar desvios de condutas, nas votações e posicionamentos dos parlamentares. Apelar para a denúncia nas redes sociais também é válido e legítimo, e por vezes mais eficaz!

Portanto, na busca de aperfeiçoarmo-nos como cidadãos, com tais ações, algumas bem simples outras mais trabalhosas, mas ambas responsáveis, estaremos a contribuir para uma sociedade mais digna e democrática.

 

Carlos Oscar Cruz Ferreira é Major Brigadeiro da Força Aérea Brasileira e Coordenador do Clube dos Militares da Reserva e Reformados da Aeronáutica brasileira Clube dos Militares da Reserva e Reformados da Aeronáutica brasileira (RESERVAER)


Sede Central
Av. Rio Branco 251 - Centro
Rio de Janeiro/RJ - Tel.: (21) 3125-8383
Sede Lagoa
Rua Jardim Botânico 391 - Jrd. Botânico
Rio de Janeiro/RJ - Tel.: (21) 2197-8888
Sede Cabo Frio
Av. dos Astros 291 - Praia do Foguete
Cabo Frio/RJ - Tel.: (22) 2643-3537

Slider by webdesign