Campanha pela Moralidade Nacional

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LEI MORAL, LIBERDADE E HISTÓRIA – TRIPÉ DA GRANDEZA

Luiz Eduardo Rocha Paiva

O respeito a um código de valores morais e éticos é um dos alicerces da grandeza das nações. Riqueza, progresso e poder não bastam nos desafios cujo enfrentamento exija coesão, autoestima e autorrespeito, atributos de nações que se impõem pelo próprio valor. O código é a Lei Moral, amálgama dos cidadãos entre si, elo do povo com sua liderança e base da grandeza das nações.

A sociedade brasileira padece de grave enfermidade moral que contamina a liderança nacional e compromete a coesão imprescindível ao País para enfrentar os conflitos que virão, por sua crescente inserção como ator de peso nas relações internacionais. A liderança é patrimonialista e amplamente corrompida nos Poderes da União e em diversos setores do País. Apodera-se dos bens públicos como se fossem de sua propriedade e escarnece da Nação com mentirosas explicações para as manobras imorais que promove, usurpando o tesouro nacional em benefício próprio. Apóia-se na impunidade e na omissão de uma sociedade anestesiada e lamentavelmente acomodada, que perdeu a confiança na justiça, assumiu a falta de ética e sepultou valores imortais. O cidadão contenta-se com a satisfação de necessidades básicas e a falsa noção de liberdade, que usa sem responsabilidade e disciplina, tornando-a um bem ilusório. Agoniza a Lei Moral, condição de grandeza.

Vão-se as referências e vem a anomia, dando margem a desvios de conduta emblemáticos como o do atleta que vira cambalhotas em solenidade na rampa do Palácio do Planalto; o do aluno que se dirige ao mestre pelo apelido, quando não o agride; o de autoridades que, literalmente, usam o boné de movimentos radicais violentos, ditos sociais, como o MST, parecendo respaldar suas ações criminosas; e o de líderes que não se envergonham de buscar o apoio de poderosos políticos corruptos e prestigiar mensaleiros denunciados na justiça como uma quadrilha. A liderança nacional, carente valores para se afirmar pelo exemplo, na ânsia de agradar para aparecer bem na foto e ávida de poder, despreza protocolos, normas e ética, debilitando o princípio da autoridade e a dignidade de cargos públicos. Leva a Nação a confundir intimidade permissiva e leniência com espírito democrático e falta de ética com tino político.

Essa doença moral não será curada por partidos políticos desmoralizados ou por eleições incapazes de aperfeiçoar, por si só, a democracia como se tenta iludir a Nação. Um choque de valores teria de vir da sociedade, ser aplicado nela própria, assimilado pelas famílias e por um sistema educacional moral e profissionalmente recuperado, capaz de gerar cidadãos íntegros e cientes de que liberdade sem disciplina esgarça o sistema social. Hoje, a mídia é o setor com maior poder de contribuir para recuperar os valores tradicionais e limitar a ganância e abusos dos donos do poder, desde que resista às tentativas de mordaça política, financeira e ideológica e permaneça imparcial e vigilante.

Liberdade é um bem inestimável e uma das aspirações mais valorizadas pela sociedade brasileira, mas não é passe livre para o cidadão fazer o que bem entende. O exercício desse direito requer civismo, disciplina e respeito ao próximo. A crença na liberdade fica comprometida quando as instituições não impõem o império da lei e justiça e as lideranças usam o poder para usurpar, impunemente, bens por direito pertencentes à nação.  Por outro lado, a ausência de liberdade já fez ruir muitos impérios. A União Soviética condenou-se ao atraso, exceto nos campos militar e científico-tecnológico, ao submeter suas nações a uma ideologia totalitária liberticida, colocando o Partido Comunista acima de liberdade, justiça, vida e família. História e tradição foram deturpadas pela ideologia; heróis de verdade denegridos e substituídos por ídolos feitos pela propaganda estatal; disciplina e dever, impostos por ameaças, eram voltados ao Partido e não à nação. Foi um Estado déspota que tentou, mas não conseguiu apagar a história e as tradições das nações que tornou escravas.

A história também é fiadora do projeto de uma nação que se pretende grande, perene e respeitada. É o selo desse compromisso transmitido de geração a geração e fortalece a fraternidade entre os cidadãos de um país. Se a história mantém unida a nação, os heróis que conduziram o país em momentos decisivos são os seus protagonistas. Eles se tornam merecedores da gratidão e respeito do povo por tomarem atitudes corajosas e decisivas e assumirem responsabilidades com sacrifício pessoal, em prol da nação, diante de situações extremas. Heróis não foram e nem poderiam ser pessoas perfeitas, mas são cidadãos especiais como poucos serão. Pátria, história e heróis são símbolos, sínteses e imagens de princípios e valores morais e éticos inspiradores de nobres ideais. Ao enaltecê-los, uma nação com vocação de grandeza propõe referenciais de excelência que motivam a busca da perfeição e tornam o povo combativo, disciplinado, altivo, empreendedor e unido. Ou seja, constrói a própria grandeza.

Há décadas que a esquerda radical brasileira, herdeira da infausta ideologia comunista, desenvolve permanente campanha no sentido de denegrir a História e os heróis do País e, também, promover a quebra de valores tradicionais, a fim de enfraquecer a coesão nacional e debilitar moralmente a sociedade e a família. Conta com a parceria, consciente ou não, de vários segmentos da Nação, que se tornaram instrumentos da via gramcista de tomada do poder, estratégia contemporânea para a implantação de um regime socialista totalitário e liberticida.

As vulnerabilidades advindas desse contexto, e que fragilizam a Nação, não poderiam deixar de ser aproveitadas pelos inimigos da democracia.

Ou o Brasil revigora a Lei Moral, consolida a liberdade, neutralizando seus inimigos, e resgata sua História e heróis ou será um gigante de pés de barro, uma Nação sem o respeito do mundo e, pior ainda, do seu próprio povo.  

Luiz Eduardo Rocha Paiva é General de Brigada

Artigo publicado na Revista do Clube Militar, Nr 442, (Agosto-setembro-Outubro/2011).


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