E agora, José?

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O PENSAMENTO DO CLUBE MILITAR:

“E AGORA, JOSÉ?”

 

 

Gen Clovis Purper Bandeira

Editor de Opinião do Clube Militar

20 de junho de 2017

 

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?

 

 

                Como nos imortais versos de Carlos Drummond de Andrade, dirijo-me a você, José, meu irmão brasileiro, na ansiosa busca por respostas para a grande crise que, com velocidade e violência inesperadas, caiu sobre nossas cabeças.

                A festa acabou, José.

Não há mais empresas campeãs do mundo – à custa de generosos financiamentos a juros de pai para filho que nós, o povo brasileiro, saldaremos durante décadas. Para tal, deixaremos de gastar nossos recursos no desenvolvimento, melhoria das condições de vida, criação de empregos, educação saúde e segurança.

Estaremos pagando a tal dívida externa, que nossos desgovernos fizeram para beneficiar os escolhidos e encher seus próprios bolsos. Em breve, estarão eles mesmos bradando contra o tamanho da dívida externa, impagável, que contrataram para se locupletarem e enriquecerem seus cúmplices. Sem memória, aplaudiremos seus brados, em vez de cobrar sua responsabilidade no descalabro financeiro em que nos lançaram, dilapidando o patrimônio ganho em uma época de ouro da economia mundial, quando as commodities que vendemos estavam supervalorizadas e nos garantiam meios para resolver ou diminuir nossos graves problemas sociais e de infraestrutura.

A luz apagou, José.

Onde está o brilho dos iates, das estadas em hotéis de seis estrelas com comitivas de centenas de convidados amigos do rei ou da rainha? Os jantares regados a Romanée-Conti? Os aviões das mil e uma noites? As viagens aéreas pagas por nós para implante de cabelos na clínica de especialistas renomados? E os passeios aéreos da cabeleireira paulista para atender a autoridade?

Quem pagará os salários de filhos, enteados e sobrinhos (olha aí os “nepotes”) em empresas fornecedoras de bens e serviços para o governo?

Como viver sem esses agrados da sorte para com os escolhidos por um sistema corrupto e corruptor, decidido por urnas eletrônicas que não merecem crédito em nenhum lugar do mundo? E, no final, sendo julgado e aprovado pela corte eleitoral máxima como certo, apesar das evidências em volume amazônico contra tal resultado?

O povo sumiu, José.

Isso talvez seja o pior de tudo. Desempregado, iludido por todos e desiludido com tudo, adotou a atitude do tanto faz, nada vai mesmo mudar…

Acabaram-se as passeatas, que minguaram por falta de adesões e por discordância dos organizadores, cujas vaidades e pretensões políticas dividem, em vez de multiplicar. Só continuam existindo, e cada vez menos expressivas, as pretensas manifestações organizadas e controladas pela esquerda, seus sindicatos e “movimentos sociais”, pagas pela bolsa acumulada em anos de saque aos cofres públicos, ou seja, ao nosso bolso.

A noite esfriou, José.

Os que estavam no sereno sentiram o corpo esfriar, sem o conforto de um abrigo. Concluíram que seus protestos eram em vão, que seus representantes só se importavam parcialmente com eles, apenas na medida em que atendiam a seus interesses escusos e personalíssimos.

A noite esfriou como seu fervor, seu entusiasmo, sua esperança, meu conterrâneo José.

E agora, José?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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