EDUCAÇÃO E FRONTEIRAS MENTAIS

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EDUCAÇÃO E FRONTEIRAS MENTAIS

 Gen Ex Ref Alberto Cardoso

“A educação do povo é o nosso primeiro problema nacional. Primeiro, porque o mais urgente; primeiro, porque solve todos os outros; primeiro, porque, resolvido, colocará o Brasil a par das nações mais cultas, dando-lhe proventos e honrarias, e lhe afiançando a prosperidade e a segurança. E se assim faz-se o primeiro, na verdade se torna o único.”

Miguel Couto (1865-1934)

 

Este artigo defende que a doença moral, já crônica, que assola o Estado e a Nação brasileira pode ser solucionada por meio do fortalecimento dos valores tradicionais de nossa cultura e que isso deve ser obtido em um processo educacional amplo, abrangendo variadas ações educativas populares de cunho cívico.

 

Na segunda metade da década de 1990, quando percebeu que os recursos orçamentários entravam numa tendência declinante, o então ministro do Exército, general Zenildo, decidiu dar tratamento especial à área de ensino e cultura – em uma palavra: educação – nos cortes que teria de fazer. Igual decisão foi tomada em relação ao campo social, no tocante à saúde, aos círculos militares e clubes de graduados, e aos hotéis de trânsito. Ele intuiu que os cenários da motivação do pessoal – consequentemente, do desempenho da organização – iriam exigir muito daqueles setores. Sobretudo, sabia que profissionais motivados mantêm os valores militares ativos e, por via destes, a cultura profissional fortalecida. Foi como se disséssemos: já que seremos obrigados a reduzir os investimentos em bens de emprego militar para a defesa física da Pátria, inclusive das fronteiras terrestres, fortifiquemos nosso bem maior de cumprimento dessa missão constitucional, a fronteira mental de nosso pessoal.

Lá se vão vinte anos – uma geração mais. O processo educacional e a ação de comando permanentes mantiveram o Exército Brasileiro na mesma linha-mestra profissional sinalizada desde a origem. Um eixo de vida balizado pela disciplina, hierarquia, camaradagem, liderança persuasiva, coesão, patriotismo, democracia, eficiência, honestidade, legalidade, harmonia com a Marinha e a Força Aérea, apartidarismo político, consciência do papel a nós imposto pela Constituição, credibilidade perante a Nação. Tudo que dá fé de nossa maneira de pensar e agir.

No histórico recente da ação governamental no Brasil, não se percebe semelhante zelo com a infraestrutura da cultura nacional, que vem sendo focada somente como literatura e arte. Refiro-me ao sentido mais amplo de uma base sólida de valores que induzam a participação popular espontânea na condução do País no rumo de um futuro com felicidade e consciência política para o povo, probidade na administração pública, previsibilidade e eficiência das políticas básicas do Estado, e altivez e respeito internacional. Não há uma política educacional permanente de fortalecimento dos valores da cultura brasileira que previnam ou – como requer a situação que vivemos – que “curem” a moléstia ética do Estado brasileiro e a amorfia anímica e volitiva de grande parte da sociedade nacional. Uma doença que dificulta ao povo reconhecer a devida relevância das instituições do Estado; corresponsabilizar-se pelo seu funcionamento republicano; renegar o “jeitinho” e execrar a desonestidade; delegar seu poder, autoridade e soberania a candidatos íntegros aos Poderes Executivo e Legislativo. Enfim, transformar-se, realmente, em Nação, orgulhar-se profundamente dela, não admitir sua cisão ideológica e conscientizar-se da importância da sua unidade.

Ora, não se consegue êxito num processo educacional nacional voltado para esse problema apenas por meio de decretos que incluam nos currículos escolares, por exemplo, o Estudo de Problemas Brasileiros e a Educação Moral e Cívica. Ou retumbantes slogans governamentais vazios de ação. Também não será somente um ensino de qualidade o agente redentor que redimirá o País desse mal. Nem a família ou a religião, de per si. Ou só a práxis democrática continuada. Nem tampouco eventuais bons exemplos de conduta moral e social dos políticos, empresários e sindicalistas. Parece-me que a parte educativa da solução estará no conjunto de todos esses fatores; mas não apenas eles.

Há que considerar uma novidade que se imiscuiu na seara da nacionalidade.

No caso das fronteiras mentais militares, se tratava de assunto corriqueiro interna corporis. Todavia, no âmbito do País, estamos diante de um novo conceito, imposto pela globalização das ideias, o qual exige inovação no entendimento e modernização da ferramenta geopolítica dos limites territoriais: são as fronteiras mentais dos indivíduos, que podem sobrepor-se às geohistóricas e têm potencial de criar enclaves ideológicos e, no limite, ameaçar a Nação de cisão. Isso gera um risco a ser administrado; qual seja, a facilidade de acesso e influenciação das pessoas, marcos individuais da fronteira mental, pelos interesses internacionais contrários aos nossos.

Entretanto, a ameaça de exploração dessa vulnerabilidade não é só externa. Na luta interna pelo poder, políticos e partidos que não primam pelo caráter e patriotismo têm à disposição massa facilmente manobrável na direção da atitude de descrença generalizada e da anomia; clima que muito lhes serve. Se essas novas fronteiras não forem fortificadas de acordo com o entendimento correto da sua natureza de terreno das ideias, elas ampliarão o campo fértil para potencialização de tendências ao esmaecimento do orgulho nacional e da consciência de Nação.

Estamos convocados para o desafio educacional de superação das deficiências do moral e da moral nacionais. Adaptemos, pois, a cura à doença.

Continuemos com a metáfora de fronteira. Nossas antigas colônias militares, hoje emblematizadas pelos bravos e patrióticos Pelotões Especiais de Fronteira, devem servir de inspiração como pontos de partida da ação educacional contra o afrouxamento moral. Um desses novos marcos fronteiriços anímicos a serem fortalecidos e explorados como pilares da reconstrução da vontade nacional aí está, em pleno funcionamento: a operação Lava Jato. Ela se transformou em Lava Alma do povo; é um pólo de orgulho já enraizado e em expansão. Defendê-la a todo custo faz parte da educação cívica prática.

Aproxima-se outro marco fronteiriço lava-alma, as eleições de 2018, cuja boa prévia ocorreu no pleito municipal de 2016. A oportunidade educativa se inicia no período da campanha, tem que ser pautada na responsabilidade política popular de limpeza da corrupção no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto, e resultar na não reeleição dos implicados, denunciados ou já condenados em primeira instância judicial. Um bom mote seria a priorização dos Novos Políticos, aqueles candidatos que se comprometam com anteprojetos pragmáticos de reforma política e de vivificação dos valores da cultura brasileira, os assinem, registrem e difundam nas suas campanhas.

Síntese. Agir para tornar inexpugnável a nova fronteira mental brasileira é um processo de educação e essa crise nos presenteia as oportunidades para as ações educativas. As lideranças de movimentos patrióticos democráticos e os Novos Políticos dispõem de um vasto leque de ideias a defender: proteção da instituição família; formação sólida dos professores e isenta de ideologia; tolerância zero com os pequenos e grandes delitos e combate a eles; valorização dos órgãos policiais; enfrentamento dos reais indutores de violência; pressão popular nos momentos críticos dos julgamentos judiciais de processos de corrupção; rigor na exigência de prestação de contas das ONGs beneficiadas com recursos do Tesouro Nacional e no controle das atividades das ONGs financiadas desde o exterior; organismos de acompanhamento e controle popular do exercício dos mandatos políticos e do  cumprimento das promessas eleitorais; e outras. Essas e demais manifestações da vontade da maioria fazem parte daquele conjunto de ações com vertente educativa, que, de tão continuadamente praticadas e difundidas, acabam formando um amplo sistema nacional sinérgico de reconstrução do orgulho de ser brasileiro. 


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