EDUCAÇÃO: O PERENE DESAFIO

Topo documento [27jun17] Educação no Brasil

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EDUCAÇÃO: O PERENE DESAFIO

 Um artigo despretensioso sobre a importância da educação, em sentido lato,

e sua brutal interferência (positiva ou negativa) nos destinos de uma nação: o Caso Brasil

Prof. Dr. J. Kofler

 

UM BREVE INTROITO

“A educação não é tanto quanto você se compromete com sua memória, ou até quanto você conhece.

É ser capaz de diferenciar entre quanto você conhece e quanto não” (Anatole France).

 

 

A principal e grande preocupação dos cientistas sociais, historicamente falando, tem sido e continua sendo aquilo que a psicologia convencionou em denominar “fator humano”. Nos estudos antropológicos de corte longitudinal (isto é, ao longo da história humana), o cerne de toda e qualquer questão sempre esteve, direta ou indiretamente, correlacionado com a satisfação plena de nossa espécie. Todavia, “na prática, a teoria é outra”, costuma-se afirmar, visto que, contrariamente ao que se poderia alimentar como expectativa racional e lógica, o que se observa a olho nu é um processo inverso, ou seja, a deterioração crescente do indivíduo humano e do seu próprio habitat.

Ensaios desenvolvidos por este articulista ao longo das últimas quatro décadas, centralizam o âmago dessa disfunção social num fator crucial: a educação, em sentido lato, isto é, desde aquela implementada junto às crianças até a direcionada aos estratos adultos. Emilio Lledó, festejado escritor e filósofo espanhol contemporâneo, membro da Real Academia Espanhola de Letras, em seu discurso de agradecimento no ato de recebimento do prêmio Princesa de Astúrias de Comunicação e Humanidades (2015), surpreendeu a seleta plateia com um agudo diagnóstico:

“O céu ideal das Humanidades, está em realidade cheio de negras nuvens violentas. Basta abrir os jornais ou ouvir as notícias. E essa escuridão nos leva a pensar se essa prodigiosa invenção das «humanidades» não se deteriorou e se, apesar dos indubitáveis progressos reais, o gênero humano não tenha conseguido superar a ignorância e sua inevitável companhia, a violência, a crueldade. O «gênero humano», essa trivializada expressão, convertida em «degênero» (sic), em uma degeneração” ­[[1]].

Este fenômeno da deterioração humana, sem dúvida, possui íntima conexão com a educação, em sentido diretamente proporcional, i.e., a decadência humana cresce na mesma razão em que cresce a ignorância e a deseducação humana, pois ambos indicadores possuem estreita correlação (causa-efeito). Mas isso não é tudo. Referido processo, a priori, tende a produzir o fenômeno natural da involução (novamente, causa-efeito) e, em certos casos extremos, da extinção total da espécie.

IDEOLOGIA: FATOR COMPLICADOR PARA A EDUCAÇÃO

A ideologia sempre fez parte da rotina humana, não raro como um fator complicador que lhe obstaculiza o acesso a determinados níveis de inter-relacionamento ou, ainda, a certos estratos da sociedade. O ser humano percorre seu longo e instável caminho existencial segundo uma dinâmica em perpetuum mobile: sai de uma crise para em seguida ingressar a outra crise, comprovando que sua natureza é inacabada e indefinida, conformando o que se conhece por processo social. Por seu turno, a crise identifica um estado de deterioro crescente que não mais pode ser tolerado, no qual é insustentável continuar, mas que, via de regra, não apresenta saídas viáveis (SOTELO, 2000) [[2]]. Em termos vulgares, é uma verdadeira “sinuca de bico”, um “beco sem saída”, um “xeque mate”.

Pois bem. Quando – como é o caso da nossa castigada nação – a ideologia (qualquer ideologia, sublinhe-se) contamina a educação, os rumos desta ciência deixam de atender ao seu verdadeiro e legítimo escopo (a construção intelectual e humana do cidadão), para privilegiar normativas artificiais e subvertidas advindas de certas agremiações que defendem, incondicionalmente, um conjunto de falsos valores. Por que falsos? Porque todo e qualquer valor que não tenha por objetivo o bem, o crescimento e o aperfeiçoamento da espécie como um todo, deixa de ser um valor para transformar-se em ideologização espúria (KOFFLER-AÑAZCO, 1976) [3].

Albert Einstein (1879-1955), renomado físico-teórico alemão, autor da Teoria da Relatividade e também da Mecânica Quântica, asseverou com insofismável validade: “Não existe pior defeito humano que tomar decisões sem conhecer bem o problema”. Eis um dos grandes problemas que afligem nossa espécie e que contaminam as ideologias, não raro por caminhos torpes. Neste diapasão, ideologizar a educação seria travesti-la sob um manto fundamentalista. Neste sentido, Diego Linare [4] afirma: “A pedagogia – arte e ciência de educar – será um caminho para acompanhar no discernimento, crescimento e desenvolvimento integral da pessoa” (p. 29). Noutros termos, o referido estudioso deixa cristalina a necessidade de execração de qualquer tipo de fundamentalismo, de imposição de ideologias, de “verdade única” (sic) travestida de educação, com o criminoso intento de alienar sociedades inteiras, abrigando-as sob bandeiras ostensivamente criminosas, a exemplo do que se conhece como comunismo; uma das mais grosseiras e grotescas falácias já vista na história humana.

 

À GUISA DE EPÍLOGO

Nossa grandiosa nação – “gigante pela própria natureza” – sofre gravíssimo impasse, historicamente falando: é paupérrima no quesito vital da educação. Isto é insofismável e abrange todos os níveis deste quesito: do seio familiar à pós-graduação em seu mais elevado grau. Este cenário, infelizmente tradicional em nossa história, viu-se grotescamente agravado nas últimas décadas, quando temáticas infames passaram a fazer parte do “currículo” (sic) escolar: confusão de gêneros, deturpação de credos religiosos, esfacelamento das relações inter (e intra) familiares, destruição de valores inegociáveis, dentre tantos outros indicativos que mancham, indelevelmente, nossa sociedade, contaminando fatalmente as novas gerações.

Que futuro poderia se almejar, se nossa educação (sentido lato), bastião da sociedade, esfarela-se sob o peso ignominioso de ideologias e crenças espúrias? Há um flagrante desprezo pelo nosso futuro; há menosprezo grosseiro pela nossa nação; há, em suma, desintegração social, minando os frágeis alicerces (já desgastados pela ignomínia política perversa e renitente) de nossa castigada sociedade. E, com absoluta certeza, este caminho espinhoso não aponta para um final feliz!

A Educação Moral e Cívica ressente-se e chora, junto a outros tantos valores esquecidos, nesse seu forçado e criminoso exílio!

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[[1]] RIVAS, Henrique Sánchez. El factor humano, esencia de la educación. Disponível em: https://ined21.com/el-factor-humano-esencia-de-la-educacion/. Acesso em: Junho.2017.

[[2]] SOTELO, Ignacio. La crisis del Estado. In: “Hacia una ideologia para el siglo XXI ante la crisis civilizatória de nuestro tiempo”, José Alcina Franch & Marisa Calés Bourdet (eds.). Madrid: Ediciones AKAL, 2000.

[3] KOFFLER-AÑAZCO, Juan Y. El Hombre: ese proyecto mal terminado [tesis de doctoramiento]. Madrid: Universidad Complutense de Madrid, 1976.

[4] LINARE, Diego. La entropía en la educación. Buenos Aires: Dunken, 2005.


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