Educação Vergonha Nacional

Topo documento [27jun17] Educação no Brasil

– EDUCAÇÃO NO BRASIL –

 EDUCAÇÃO VERGONHA NACIONAL!

 

Pedro Luis de Araújo Braga

 

 Educação: palavra mágica, capaz de soerguer um povo e de projetá-lo no concerto das nações.

Compreendendo isto, muitos países a levam a sério e atribuem a ela a maior prioridade. Ela é ampla, tem um largo espectro. É diversificada. E começa no lar, desde os primeiros anos.

No meu já longínquo tempo de criança, o respeito às autoridades e aos mais idosos aprendia-se na vida familiar. Tratávamos nossos avós, pais, tios, os mais velhos enfim, com respeito, chamando-os de “senhor”. E humildemente, a eles pedíamos a bênção. O tratamento íntimo de “você” – ou “tu” dos gaúchos – era reservado aos nossos irmãos, primos e amigos de mesma faixa etária. Para professores, jamais! Estes eram tratados com respeito e reverência por seus alunos.

Em casa, era na hora do jantar, quando o pai já havia retornado do trabalho, que a família se reunia, ao redor da mesa. Não havia telejornal, novela ou desenho animado para interferir aquele convívio, em ambiente de alegria e gratidão pelos alimentos. Era oportunidade para a troca de idéias, para se receberem instruções e orientação sobre assuntos diversos, muitas vezes sobre comportamentos e responsabilidades. Nossos pais entendiam e praticavam o preceito bíblico que diz: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele.” (Provérbios 22.7).

A disciplina aplicada no lar é um ato de amor. Seu propósito é refrear a conhecida tendência do coração humano, congênita, para o que é errado. Estabelece limites, mostrando à criança, com clareza, a diferença entre o que é certo e o que é condenável, entre o bom e o que é nocivo. Um remédio amargo, às vezes, mas o resultado é sempre doce, com o sabor do mel. No momento em que é aplicada pode ser motivo de choro, mas depois produz aquiescência e paz.

Às vezes havia a palmada e o castigo, corretivos necessários e passageiros. Mas eficientes! Um filho não deixava de amar seus pais por lhe aplicarem eventuais castigos, eis que eram cometidos sem rancor. E para que não voltassem a cometer tais coisas incorretas, ou inconvenientes, ou perigosas, que poderiam resultar em prejuízo próprio.

Nas escolas, já havia acabado o tempo da palmatória para corrigir condutas inadequadas. As faltas disciplinares eram punidas por meio de castigos não mais físicos. Os mais comuns eram: permanecer sentado na sala de aula na hora do recreio; escrever diversas vezes uma frase de impacto, como “Devo ser um aluno disciplinado e respeitador”; e, em casos mais sérios, havia a suspensão por um período limitado. As professoras – quase todas eram moças, ao menos nas excelentes Escolas Públicas onde estudei – eram oriundas da Escola Normal, ou Instituto de Educação, localizado à Rua Mariz e Barros na cidade do Rio de Janeiro. Vocacionadas, competentes e pedagogas, não obstante educadas, atenciosas, pacientes e afetivas, faziam-se respeitar. Não precisavam ser chamadas de “tia”.

Os alunos, do ensino primário ao ginásio (fundamental ao médio) trajavam uniformes. Ficavam nivelados, todos iguais, não importa a origem, a procedência ou a condição social. Nas escolas complementava-se a educação trazida de casa, em especial nos aspectos de cidadania e patriotismo. Começavam ali as lições de Moral e Cívica, desprezadas hoje como “resquícios do autoritarismo”. Antes da entrada para a sala de aula, havia uma formatura, com o hasteamento do Pavilhão Nacional (em função da hora) e o canto de um hino histórico, como o Hino Nacional Brasileiro, o Hino à Bandeira, o da Independência e o da Proclamação da República. Sabíamos todos de cor! E ninguém cantava, como se escuta hoje freqüentemente, por exemplo, “…conquistar com braços fortes…” e “Brasil de um sonho intenso…” e outras deturpações mais, pois o poema de Joaquim Osório Duque Estrada era analisado e entendido.

É verdade que o progresso facilitou muita coisa. Hoje já não se usam ábacos, réguas de cálculo, taboa de logaritmos. Mas, em compensação, há exageros. Alunos já não sabem tabuada, régua de três, confiando tudo nas maquininhas. Até mesmo no lazer: preferem jogos eletrônicos, nos quais são ases, mas não conhecem o dominó, não sabem fazer damas e muito menos xadrez. O que importa? – indagam.

No Colégio Militar do Rio de Janeiro, onde estudei, havia professores militares, a maioria, e alguns civis, todos homens, à época, e de notório saber. Dos primeiros, diversos trajavam-se primorosamente, usando uniformes de passeio, verde, branco ou cinza, verdadeiros manequins, que faziam com que os alunos desejassem seguir a carreira militar para, um dia, também usá-los. Os civis apresentavam-se com traje passeio completo, sendo que os que ensinavam em laboratórios trocavam o paletó por uma espécie de jaleco branco, mas sem retirar a gravata. E, por falar nela, lembro-me de um professor, que também lecionava na Escola Normal já referida, que usava as mais belas gravatas que já vi. Nunca assisti um professor sentar-se na mesa e nem dar intimidade a seus alunos.

Hoje tudo mudou. E não foi para melhor.

Veem-se professores de camisetas e calça jeans, em geral desbotada, que não se importam com a reverência que lhes é devida. Não há dedicação exclusiva e integral, pois o estipêndio ridículo que lhes fazem obriga-os a correr de uma escola para outra. Alunos comparecem às aulas usando bermuda, camiseta sem manga e chinelos de dedo; moças com provocantes mini-saias, decotes acentuados e sandálias… Todos mascando chiclete em plena aula. Ninguém os disciplina.

Por outro lado, a avaliação do aprendizado mudou. São poucas as provas discursivas, pois a maioria não sabe escrever. Pois não lê!   

O Google informa tudo!…

Mas, ao lado da educação, está a cultura.

No âmbito federal, o antigo Ministério da Educação e Saúde deu lugar ao Ministério da Educação e Cultura. O Exército Brasileiro, há alguns anos, transformou o Departamento de Ensino e Pesquisa em Departamento de Educação e Cultura. Mas, no plano da União, pressões para acomodar os amigos, fez com que a Cultura passasse a ser outro ministério (hoje são tantos que é impossível saber seus nomes…). Mas não para valorizá-la. Daí tem sido como titulares da Pasta, cantores de música popular, como se cultura fosse só isto. E de níveis, escolar e cultural, semelhantes ao daquele que os nomeou.

Ampliou-se a vergonha nacional: era da educação e ora também o é da cultura.

Alguém, integrante da classe que está no poder e por certo satisfeito por estar “arrumado” – “a boca é boa, também quero me arrumar”, diz a canção popular – poderá acusar-me de ser saudosista. Acertou! Saudades de um tempo em que o povo era feliz e não sabia…

O quadro nacional de deterioração é tão flagrante e amplo que é difícil ter esperanças de dias melhores, pelo menos em curto prazo. Todavia, o Brasil é singular, surpreendente. Há dias li um comentário de um conhecido colunista que, ironicamente, afirmou que na Pindorama de hoje “prostituta se apaixona, cafetão tem ciúmes, traficante se vicia e Ministro da Fazenda…sonega”.

Não há solução mágica para o desastre atual. Há um conselho, antigo, que vem da caserna: Mudar o que precisa ser mudado, conservar o que deve ser conservado pois está dando certo, e coragem, patriotismo e competência para discernir uma coisa da outra.

 

Pedro Luis de Araújo Braga - O autor é General de Exército e Presidente do Conselho Deliberativo do Clube Militar.


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