HÁ 50 ANOS – Acontecimentos de 1962

Janeiro

06/01/62 – Atentado à sede da União Nacional dos Estudantes, no Rio de Janeiro. O Presidente João Goulart emite nota de repúdio.

09/01/62 – Manifestações e passeatas no Ceará, lideradas por sacerdotes católicos, em favor das “reformas de base”.

19/01/62 – O almirante Silvio Heck faz o primeiro de uma série de pronunciamentos contra o governo, o que lhe valerá algumas ordens de prisão domiciliar.

23/01/62 – O governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, ocupa rádio e televisão para um pronunciamento nacional com críticas moderadas ao governo federal. Outras manifestações semelhantes marcarão avanços e recuos em suas relações com Brasília.

28/01/62 – Em almoço na revista “O Cruzeiro”, Juscelino Kubitschek lança sua candidatura à presidência da República em 1965.

30/01/62 – Falando em nome das classes produtoras, o presidente da Federação das Associações Comerciais do Brasil, Ruy Gomes de Almeida, reclama da regulamentação, injusta a seu ver, do projeto de remessa de lucros.

Fevereiro

09/02/62 – Os governadores de Goiás (Mauro Borges) e do Rio Grande do Sul (Leonel Brizola) articulam no Rio de Janeiro a criação de uma Frente Nacional de Libertação, para fazer frente à oposição udenista e pessedista no Congresso Nacional.

20/02/62 – O governador gaúcho, Leonel Brizola, encampa a Cia. Telefônica Riograndense.

24/02/62 – O Conselho de Ministros aprova o aumento do funcionalismo público federal (40%).

Março

15/03/62 – Em pronunciamento dirigido às classes produtoras, o Ministro da Fazenda, Walter Moreira Salles, fala da situação econômico-financeira do País, com um déficit técnico de Cr$ 134 bilhões e um déficit real de Cr$ 329 bilhões.

                  O Gen Peri Bevilacqua, comandante da 3ª Região Militar, sediada em Porto Alegre, é preso por infringir o regulamento disciplinar, ao escrever ao governador Brizola tratando de política internacional. Trechos da carta são publicados pela imprensa.

24/03/62 – Em banquete na Câmara de Comércio Americana, no Rio, o presidente Goulart afirma que não há prevenção contra o capital estrangeiro no Brasil, assegurando-lhe o governo todas as garantias.

                  Jânio Quadros retorna ao País e faz pronunciamento pelo rádio e pela TV, em São Paulo, lembrando seus sete meses de governo e omitindo as razões da renúncia.

Abril

02/04/62 – Oficiais da Casa Militar do presidente da República rebelam-se contra a nomeação do Gen Aurélio de Lyra Tavares para chefiá-los.

                  Intervenção na Cia. Telefônica Brasileira, no Rio, sendo nomeado interventor o Gen Jair Dantas Ribeiro.

04/04/62 – O presidente João Goulart encontra o presidente John Kennedy, nos Estados Unidos. O primeiro resultado positivo do encontro é a liberação da verba de US$ 129 milhões, de ajuda econômica ao Brasil. O montante representa o restante do crédito oferecido ao País em maio de 1961, suspenso com a renúncia de Jânio Quadros.

11/04/61 – O presidente Goulart sofre distúrbio coronário durante a apresentação do ballet mexicano, no Teatro Nacional da Cidade do México. É o segundo que sofre no período de três meses.

12/04/62 – O presidente da Federação das Associações Comerciais do Brasil, Ruy Gomes de Almeida, analisa a viagem do presidente Goulart e vê nela boas perspectivas, para o País. Pede união nacional em torno das reformas necessárias, sem “agitações estéreis e demagógicas”.

Maio

01/05/62 – Oficiais e sub-oficiais das três armas são presos por transgressão da disciplina militar, ao fazerem campanha pública em prol do aumento do soldo dos militares.

                  Em pronunciamento feito em Volta Redonda, o presidente Goulart pede, pela primeira vez em público, a reforma da Constituição, que segundo ele precisa ser alterada quanto “ao funcionamento do sistema e do regime econômico e social”.

04/05/62 – Oficiais das três armas pedem, em manifesto, soldo compatível com a carestia de vida.

                  É inaugurada no Rio, no pavilhão de São Cristóvão, a Exposição Soviética.

12/05/62 – Massas famintas assaltam feiras em todo o Nordeste e o ministro da Agricultura, Armando Monteiro, decreta estado de emergência na região.

15/05/62 – O presidente João Goulart fala a trabalhadores na cidade de Santos, dizendo que prega a reforma “dentro ou fora dos moldes constitucionais”.

20/05/62 – Denúncia e descoberta de bomba-relógio na Exposição Soviética, no Rio.

23/05/62 – Durante conferência no Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, no Rio, o governador gaúcho Leonel Brizola critica violentamente “o processo de ocupação do País pelo capital estrangeiro” e prega a revolução. Seu pronunciamento é condenado pela congregação da Faculdade Nacional de Direito.

27/05/62 – O general Augusto Magessi é eleito presidente do Clube Militar.

Junho

05/06/62 – Comandante da 6ª Região Militar, Gen Souza Aguiar, confirma infiltração Comunista nas zonas de sua jurisdição (estados da Bahia e Sergipe).

1962 - 01

07/06/62 – Congresso norte-americano veta todo tipo de ajuda econômica a países sob tutela comunista.

08/06/62 – Primeira reunião de governadores, em Araxá, pede pela volta do País ao regime presidencialista.

14/06/62 – Juscelino Kubitschek recusa sondagem do presidente Goulart para chefiar gabinete parlamentarista, em substituição ao Primeiro Ministro Tancredo Neves.

15/06/62 – Derrotados no Clube Militar querem impedir de qualquer maneira a posse do Gen Magessi, alegando irregularidades na eleição.

1962 - 02

16/06/62 – O gabinete Tancredo Neves toma medidas para a normalização do abastecimento de açúcar, arroz, leite, pão e carne, que têm faltado nos grandes centros.

17/06/62 – O selecionado brasileiro conquista o bicampeonato mundial de futebol, em Santiago do Chile, após derrotar a equipe da Checoslováquia.

27/06/62 – General Magessi assume a presidência do Clube Militar e declara: “O Clube Militar não será arrastado para a área das ideologias ilegais”

1962 - 03

Julho

02/07/62 – “The Times”, de Londres, diz em editorial que a situação política e econômica do Brasil é “farsa solene”.

03/07/62 – Aprovada na Câmara Federal a cédula única de votação, para as eleições de 7 de outubro próximo, para utilização das capitais do País.

04/07/62 – Forças Armadas entram de prontidão, depois que a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria (CNTI) decide fazer greve política de 24 horas para pressionar o Congresso a aprovar um “Ministério Nacionalista”. O presidente Goulart faz apelo à moderação, sendo advertido para o que pode ser seu “suicídio político”, caso não apoie a greve.

07/07/62 – O deputado federal Oliveira Brito apresenta emenda à Constituição, possibilitando a aprovação de toda a reforma pretendida, inclusive a do Ato Adicional.

10/07/62 – Congresso aprova o nome de Brochado da Rocha para Primeiro Ministro, sob intensa pressão sindical-militar.

12/07/62 – Setores da Força Aérea Brasileira protestam contra a indicação do Brigadeiro Reinaldo Dias de Carvalho Jr. Para o ministério da Aeronáutica.

13-07-62 – Primeiro Ministro Brochado da Rocha exige poderes específicos para governar.

                  O presidente John Kennedy adia viagem ao Brasil, alegando necessidade de permanecer em seu País nas vésperas das eleições gerais para o Congresso norte-americano.

14/07/62 – Decreto de exoneração de almirantes que protestaram contra a indicação do almirante Suzano para o Ministério da Marinha.

15/07/62 – O advogado Sobral Pinto, em carta ao presidente do Partido Social Democrático, Amaral Peixoto, e ao presidente da União Democrática Nacional, Herbert Levy, diz que “esquerdismo burguês leva ao comunismo”.

20/07/62 – Preço do dólar atinge recorde: Cr$ 506,00

23/07/62 – Atentado à casa do prefeito de São Paulo, Prestes Maia, onde é atirada uma bomba.

26/07/62 – Início da ofensiva sindical-militar pela indicação imediata de data para o plebiscito que deve devolver poderes ao presidente João Goulart.

30/07/62 – Câmara Federal nega poderes especiais ao gabinete Brochado da Rocha, salvo para resolver a crise de abastecimento e as greves.

Setembro

03/09/62 – O governador Leonel Brizola ocupa cadeia de rádio para afirmar que se dependesse dele o Congresso estaria fechado desde 15 de agosto, chamando o regime de “farsa parlamentar”.

06/09/62 – O governador da Guanabara, Carlos Lacerda, acusa o governo federal de estar tramando um golpe contra as instituições. O ministério parlamentarista emite nota oficial desmentindo a acusação.

                  Num comício no Largo do Machado, no Rio, o governador Leonel Brizola ameaça o governo da Guanabara de deposição.

10/09/62 – A Confederação Geral do Trabalho ameaça com greve geral no País, caso o plebiscito não seja antecipado para o dia 7 de outubro próximo, data das eleições gerais.

13/09/62 – Greve no porto de Santos para São Paulo. Os comandantes dos três principais exércitos do País consideram justa a paralização.

                  Aprovada no Senado a antecipação do plebiscito para 6 de janeiro de 1963, através da emenda Benedito Valadares, como adendo ao projeto de autoria de Gustavo Capanema, do gabinete “as referendum”.

                  Rejeitada, na Câmara, a emenda Oliveira Brito, por 165 votos a 97.

14/09/62 – Renúncia do gabinete Brochado da Rocha.

                  O governador Leonel Brizola acusa o general Nelson de Mello de “golpista”.

17/09/62 – Organizado gabinete provisório.

19/09/62 – Estudantes paulistas lançam manifesto contra a influência comunista na União Nacional dos Estudantes e nos diretórios das universidades.

26/09/62 – Morte do ex-Primeiro Ministro Brochado da Rocha.

Outubro

07/10/62 – Eleições gerais em todo o Brasil. A apuração lenta dos resultados vai revelar, depois, uma vitória das forças centristas.

10/10/62 – O governador Magalhães Pinto rompe com a tese udenista de maioria absoluta para validar o plebiscito.

19/10/62 – O presidente Goulart lei delegada que cria a SUPRA, Superintendência de Reforma Agrária, órgão destinado a fazer a reforma agrária.

23/10/62 – Começa o bloqueio militar a Cuba, organizado pelos Estados Unidos depois que ficou provada a instalação de foguetes nucleares soviéticos naquele país.

24/10/62 – A Organização dos Estados Americanos aprova o emprego de força contra Cuba, caso as bases nucleares não sejam retiradas. O Brasil abstém-se de votar a questão.

27/10/62 – Em carta dirigida ao presidente Goulart, o presidente Kennedy explica as razões do adiamento de sua viagem ao Brasil.

30/10/62 – O governador Leonel Brizola retrata-se publicamente das acusações que fizera ao embaixador brasileiro na OEA, Ilmar Penna Marinho, pela abstenção do voto do Brasil na questão do emprego da força contra Cuba. Leonel Brizola havia negado, também, que os russos tivessem instalado bases nucleares naquela ilha.

31/10/62 – O general Albino Silva chefia missão brasileira a Havana.

Novembro

17/11/62 – O presidente Goulart inicia campanha nacional pela volta do regime presidencialista.

30/11/62 – Aprovado pelo Congresso o gabinete chefiado por Hermes Lima, por 41 votos a favor, 38 contra e duas abstenções.

Dezembro

02/12/62 – Em plena crise do abastecimento, o Exército começa a distribuição de arroz no Rio de Janeiro.

03/12/62 – O Ministro do Trabalho, João Pinheiro Netto, deixa o gabinete por desentendimentos com o Ministro da Justiça, João Mangabeira.

06/12/62 – Bancários iniciam movimento grevista declaradamente político.

                  Descoberto carregamento de armas para grupo de guerrilheiros em Goiás.

09/12/62 – O general Pery Bevilacqua, comandante do II Exército, protesta contra o abuso das greves políticas, apesar de dar seu apoio ao presidente Goulart.

13/12/62 – Oficiais da Marinha decidem greve, na sede do IAPM.

14/12/62 – No Rio de Janeiro, encontro entre o Secretário da Justiça dos Estados Unidos, Bob Kennedy, e o presidente João Goulart.

20/12/62 – Governo intervém na greve geral dos marinheiros, ainda que o movimento não tenha obtido a adesão de toda a classe.

 


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