2º Fechamento – 01 Jul 22 a 02 Jan 23

No ano de 1915, dois importantes acontecimentos sacudiram a vida dos brasileiros e do Clube Militar.

O primeiro foi a tumultuada mudança do governo no Ceará, onde se enfrentavam os grupos ligados a Pinheiro Machado e à oposição. Na Assembleia Legislativa, dividida, a minoria apoiava o Cel Franco Rabelo, enquanto a maioria, amparada por um habeas corpus da Justiça da União, depôs Franco Rabelo e entregou a chefia do governo ao Dr. Floro Bartolomeu, porta-voz do famoso Padre Cícero. Aliado a Pinheiro Machado, Floro Bartolomeu partiu para a luta armada, derrotando as forças de Rabelo e chegando às portas de Fortaleza. O governo federal interveio, evitando a luta em Fortaleza e nomeando interventor no Estado o Cel Setembrino de Carvalho.

Um grupo de vinte e oito oficiais da guarnição de Fortaleza enviou telegrama ao Clube Militar, solicitando “a intervenção do Clube em favor desta guarnição, forçada a uma atitude que julgamos incompatível com a dignidade militar, diante da possibilidade da próxima invasão da cidade pela horda assassina de jagunços”. As assembleias realizadas no Clube em 1, 3, 4 e 5 de março não chegam a um acordo, estando os sócios divididos. Assembleia decisiva, convocada para 7 de março, é suspensa por ter o governo federal decretado estado de sítio em 5 daquele mês.

O segundo acontecimento foi o início da 1ª Grande Guerra, que teria repercussões de âmbito mundial.

Ainda nesse ano, destacam-se o apoio do Clube à “Liga Brasileira contra o Analfabetismo”, por meio de doação de livros didáticos e a entusiástica acolhida a Olavo Bilac, que percorria o país divulgando a campanha pelo Serviço Militar Obrigatório.

O número de sócios do Clube atingiu 2.941 oficiais.

Em 1916 foi criada a alfaiataria do Clube Militar.

Bilac, Pedro Lessa e Miguel Calmon criam a Liga de Defesa Nacional e, em dezembro, é realizado o primeiro sorteio militar no país, cumprindo-se, assim, o decreto de oito anos antes, que instituíra o Serviço Militar Obrigatório.

Em 26 de outubro, o Brasil declarou guerra à Alemanha, em resposta ao torpedeamento de cinco navios mercantes brasileiros: Paraná, Lapa, Tijuca, Macaú e Acari. Dois meses depois o país enviaria à Europa uma esquadra de seis navios, sob o comando do Almirante Pedro Max Fernando Frontin, que operou no Mediterrâneo, além de um corpo de aviadores e de uma missão médica.

Em 11 de novembro de 1918 foi assinado o armistício entre a Alemanha e as nações aliadas, entre elas o Brasil.

Em janeiro de 1919 faleceu o Presidente da República, Rodrigues Alves. O Vice-Presidente, Delfim Moreira, completou o período de governo até a posse de Epitácio Pessoa, com mandato até novembro de 1922.

Foi durante a interinidade de Delfim Moreira que o Brasil contratou com a França uma missão militar para o desenvolvimento da instrução do nosso Exército, missão que foi chefiada pelo General Gamelin.

O governo de Epitácio Pessoa nomeou civis para as pastas militares, o que, inicialmente, contrariou os militares. O novo Ministro da Guerra, Dr. João Pandiá Calógeras, teve que, aos poucos, ir-se firmando.

Durante o mês de agosto de 1920 começaram as discussões das bases do projeto do Montepio em tramitação no Congresso Nacional.

Em 5 de outubro os alunos da Escola Militar pediram o concurso do Clube para a construção de um monumento aos heróis de Laguna e Dourados, a ser erigido na Praia Vermelha. O Clube contribuiu com 100 mil réis para aquele fim.

Em 17 de novembro a Diretoria homenageou o Ten Guilherme Paraense, que regressou da Olimpíada de Antuérpia com a primeira medalha olímpica de ouro conquistada por um brasileiro, em provas de tiro de pistola.

O agitado ano de 1921 começou com a sanção presidencial à resolução legislativa referente à criação do “Orfanato Osório”, antiga aspiração do Clube.

Em 26 de maio foi eleita nova diretoria, presidida pelo Marechal Hermes da Fonseca, em sessão em que Rui Barbosa pronunciou eloquente discurso, com expressivos elogios ao fundador do Clube, Deodoro.

Por essa época, ainda faltando dois anos para o final do governo de Epitácio Pessoa, começavam a agitar-se os políticos, como era hábito, em torno da escolha do futuro Presidente. O nome do Dr. Artur Bernardes, então presidente de Minas Gerais, foi logo aceito como num acordo preexistente, salvo pelo presidente e chefe político do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, que julgava imprescindível conhecer previamente o programa de governo do candidato. Epitácio Pessoa, convicto de que o Presidente da República não devia interferir na escolha de seu sucessor, aceitou a indicação do político mineiro, feita ainda em meio de seu governo.

A paz política ficou gravemente perturbada. Os políticos dissidentes, aos quais aderiram os dois candidatos à Vice-Presidência, reuniram-se numa frente política denominada “Reação Republicana”.

O Marechal Hermes da Fonseca, que retornara ao país em junho de 1921, após período em que viveu na Europa, aceitou apenas a presidência do Clube Militar, apesar da pressão dos que pretendiam recorrer ao prestígio da farda, com o apoio do chefe militar da mais alta hierarquia, como força política no processo eleitoral.

Hermes da Fonseca 

Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca

 

É preciso considerar a fragilidade que ainda caracterizava a estrutura político-administrativa da Nação, adotada, com a implantação da República, sem que ainda houvesse uma consciência nacional sobre o assunto. As decisões e iniciativas partiam de grupos e dividiam os políticos, os militares e o Clube Militar.

O poderoso jornalista Edmundo Bittencourt, proprietário do “Correio da Manhã”, jornalista temido e acostumado a ser obedecido, contratou um falsário para escrever uma carta, com a assinatura do mineiro Artur Bernardes, na qual atacava o Exército de forma grosseira. Tudo isso fazia parte da campanha que Bittencourt conduzia contra o candidato mineiro.

Embora Bernardes repudiasse veementemente a carta falsa, o Senador Raul Soares, líder de sua candidatura e destinatário da carta fatídica, houve por bem investigar e esclarecer o assunto.

O Clube Militar, por seu lado, encomendou uma análise pericial da carta, a qual concluiu que a mesma era autêntica.

 

 

A falsa carta de Artur Bernardes. Autenticada por peritos, foi o estopim da crise que levaria ao 2º fechamento do Clube Militar, em 1922.

 

Laudos diferentes e contraditórios, protesto de sócios, ataques e defesas pelos jornais, publicação e distribuição de 5.000 exemplares do laudo e da moção enviada ao Presidente da República. Apesar dos desmentidos e da prisão do falsário e de seu mandante, a grande maioria dos associados do Clube continuou acreditando na validade do laudo.

Em março de 1922, Artur Bernardes foi eleito e o Congresso, cuja maioria era simpática à sua eleição, homologou o resultado, apesar de sérias dúvidas apontadas sobre os critérios das juntas apuradoras.

O Clube Militar enviou ofício ao presidente do Senado Federal, sugerindo a criação de um Tribunal de Honra, para decidir, de forma irrecorrível, sobre a lisura das eleições. Naturalmente, a proposta não foi aceita pelo Congresso Nacional nem por Artur Bernardes. Deste modo, rompia-se a última esperança de concórdia entre o futuro comandante-chefe das Forças Armadas e a grande maioria da oficialidade que devia comandar, sobretudo na capital federal.

O Presidente Epitácio Pessoa, ainda no governo, adotou um programa de transferências em massa dos oficiais declaradamente antipáticos a Artur Bernardes, enviando-os para as guarnições mais remotas do país.

Em 28 de junho, oficiais da guarnição de Recife enviaram ao Clube Militar um protesto, expondo a situação ali existente. Hermes da Fonseca respondeu com um telegrama, o que foi considerado, pelo Presidente Epitácio Pessoa, grave indisciplina, uma censura implícita às suas ordens de chefe constitucional das Forças Armadas. Em consequência, mandou repreender Hermes por escrito, em 30 de junho. No mesmo dia a Diretoria do Clube militar publicava, na imprensa carioca, uma declaração coletiva de solidariedade ao seu presidente, considerando-se igualmente responsável pelo telegrama enviado ao comandante das forças federais em Pernambuco.

Revidando a essa solidarização, o Presidente da República emitiu o Decreto nº 15543, de 1º de julho de 1922, mandando fechar, por seis meses, o Clube Militar, baseando-se no dispositivo legal que lhe facultava interditar, em defesa da moral pública, casas de lenocínio e de tavolagem.

O Marechal Hermes recusou-se a receber a repreensão que lhe fora imposta na véspera. Foi, então, recolhido preso ao quartel do 3º Regimento de Infantaria, comandado por um coronel. Avisado da impropriedade de prender um Marechal do Exército e ex-Presidente da República em um quartel de regimento, Epitácio mandou transferi-lo, preso, para o Palace Hotel, ao anoitecer do dia 2 de julho. No dia seguinte, ao meio dia, foi solto.

Ainda em consequência da prisão de Hermes e do desagrado que a mesma causou em parte da guarnição da capital, na madrugada de 5 de julho revoltou-se o Forte de Copacabana, então comandado pelo Capitão Euclides Hermes da Fonseca, filho do Marechal.

A ele aderiram o Forte do Vigia e a Escola Militar da Praia Vermelha, cujos alunos, em número de 558, marcharam para a Vila Militar sob o comando do Coronel José Maria Xavier de Brito Júnior. Julgavam os moços estudantes que as tropas da Vila Militar fariam causa comum com eles, mas foram batidos pelas mesmas e obrigados a capitular. Hermes da Fonseca foi novamente preso.

Os revoltosos do Forte de Copacabana, desiludidos e isolados, abandonaram-no, e apenas 18 deles, sob a direção do Tenente Siqueira Campos, foram atacar as forças legais na praia, encontrando quase todos a morte na luta que aí se travou.

A revolta teve reflexos nas tropas aquarteladas no Mato Grosso, sob o comando do General Clodoaldo da Fonseca, primo do Marechal Hermes, mas o fracasso do movimento no Rio de Janeiro acabou por esvaziar a tentativa no interior do país.

Decretou então o governo, em 5 de julho de 1922, o estado de sítio, que foi sucessivamente prorrogado, permanecendo em vigor até 23 de dezembro de 1923.

 


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