Fundação – 1887

                  Vários fatos contribuíram para a evolução do processo que culminou com a fundação do Clube Militar. Sem pretender esgotar o assunto, apresentaremos alguns deles, por julgá-los determinantes daquele processo.

                  A criação do Clube Militar foi precedida de várias tentativas similares, que resultaram na criação de grêmios, institutos, clubes e associações na capital e em várias províncias, todos de duração efêmera. Aos poucos, conforme se agravavam as crises do final do Império, com as conhecidas “questões” religiosa, diplomática e militar, amadurecia a ideia de que os militares precisavam fazer-se ouvir de maneira coletiva e organizada. Os oficiais do Exército e da Armada, altamente politizados, como de resto toda a população educada do país, procuraram envolver os líderes das forças, aqueles que gozavam da admiração e do respeito da grande maioria da classe, na fundação do Clube.  Neste mister, destacou-se o Tenente Thomaz Cavalcante de Albuquerque, idealista e republicano, que viria a ser o sócio número um do Clube Militar.

 Gen Tomaz Albuquerque

 Gen Thomaz Cavalcante de Albuquerque

             As primeiras reuniões eram em locais diversos: em teatros, na Biblioteca do Exército, nas residências como a de Serzedelo Correia, na Rua da Passagem, em Botafogo, onde se realizou a reunião preparatória da fundação oficial do Clube, em 2 de junho de 1897, na qual foram alinhavadas as principais ideias que regeriam a instituição.

Serzedelo Correia

Inocêncio Serzedelo Correia

                   Após essa reunião, numerosa comitiva de oficiais foi ao encontro daquele que era o mais impressionante e respeitado dos chefes militares, herói dos campos de batalha: o Marechal Deodoro da Fonseca. Junto com Sena Madureira e Benjamin Constant, o Marechal recebeu o grupo e tomou conhecimento do que ocorrera. Acertou-se o pedido da sede do Clube Naval para uma assembleia, o que foi concedido pelo Presidente daquele Clube, Custódio José de Mello.  Assim, no Largo do Rocio, hoje Praça Tiradentes, foi realizada uma reunião, em 26 de junho de 1887, sob a presidência do Marechal José Antônio Correia Câmara, Visconde de Pelotas e Ministro da Guerra, secretariada pelo Capitão de Mar e Guerra Custódio de Mello e pelo Tenente Coronel Carlos Frederico da Rocha, na qual o Visconde proferiu palavras elogiosas ao seu velho camarada Deodoro e encerrou conclamando os presentes a, de pé, aclamarem o Marechal Deodoro presidente de tão ilustre assembleia.

 Mar Correa da Câmara


 Marechal José Antônio Corrêa da Câmara

Visconde de Pelotas

Nessa reunião histórica foi fundado o Clube Militar, aclamado seu Presidente o Marechal Deodoro da Fonseca e constituída a primeira Diretoria, com os seguintes nomes e funções: Vice-Presidente – Custódio José de Mello; 1º Secretário – José Simão de Oliveira; 2º Secretário – Marciano Augusto Botelho de Magalhães; Tesoureiro – Benjamin Constant Botelho de Magalhães; Comissão de Imprensa: José Marques Guimarães, Eduardo Wandenkolk e Antônio de Sena Madureira.

 Mar Deodoro

Marechal Manoel Deodoro da Fonseca

 

                  Ainda na reunião, Deodoro mandou Sena Madureira ler o anteprojeto do Estatuto, com dezenove artigos, que, posto em votação, foi aprovado por aclamação. O rascunho, assinado por Deodoro, Benjamin e Sena Madureira, foi passado a limpo por D. Constanza A. Mariz e Barros, esposa de Sena Madureira, fato que marca a presença feminina no Clube Militar desde a assembleia de sua fundação. O Estatuto definitivo, com 32 artigos, foi aprovado na assembleia seguinte, em 4 de julho, e entrou em vigor assinado pelos membros da Diretoria aclamada na reunião anterior.

 TC Sena Madureira

Ten Cel Antonio de Sena Madureira

 

                  Na assembleia inaugural do Clube Militar debateram-se, ainda, aspectos da conjuntura nacional, a saber:

- proposta de lançamento de uma “chapa militar”, com candidatos escolhidos pelo Clube, para disputar o Senado pelo Rio de Janeiro nas próximas eleições, sendo o nome de Deodoro aclamado com entusiasmo;

- ideias a respeito da abolição da escravatura;

- franquia das Províncias e dos Municípios;

- casamento civil separado do casamento religioso;

- separação do Estado da Igreja;

- secularização dos cemitérios públicos; e

- forma de governo republicana.

 TC Benjamim Constant

 Ten Cel Benjamin Constant Botelho de Magalhães

 


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