O BRASIL PRECISA INVESTIR EM EDUCAÇÃO

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- EDUCAÇÃO NO BRASIL - 

O BRASIL PRECISA INVESTIR EM EDUCAÇÃO

Olav Schrader

 

Um dos bordões mais comuns que se ouve em interação social é a frase: “O Brasil precisa investir em educação”.

O anseio é legítimo dado que o Brasil vem caindo ou mantendo baixíssimas posições nos testes do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA) da OECD.

Mas, ironicamente (ou não), por informação disponível no site do próprio Ministério da Educação, declara-se que apenas na década 2003-2013 houve um crescimento de mais de duzentos por cento da verba destinada para a educação.

Aparentemente, vive-se o paradoxo de uma baixa de capacidade cognitiva, de conhecimento, de educação formal, de habilidades intelectuais mensuráveis em testes, por mais que se trabalhasse e se investisse em educação.

Seria um contrassenso portanto crer que apenas “mais investimento” resolveria nosso doloroso atraso educacional. Pode-se arguir, claro, que o dinheiro dos pagadores de impostos poderia ter sido melhor investido, ou até em volumes e cifras maiores, vide os salários baixos dos professores por exemplo. Mas é inegável que resultados educacionais pífios tem sido acompanhados por um aumento, mesmo que oscilante, de financiamento sem que consigamos vislumbrar melhoras qualitativas.

Pertinente neste caso seria nos perguntarmos se a razão deste aparente paradoxo não residiria em outros aspectos como, por exemplo, o tipo de abordagem pedagógica.

Ora, o patrono da educação brasileira é Paulo Freire cuja “Pedagogia do Oprimido” é, sem dúvida, se não uma linha mestra do pensamento vigente hoje na área de educação, pelo menos um bom indício de síntese que a inspira.

Uma das particularidades basilares da “Pedagogia do Oprimido” é que a aquisição de conhecimento objetivo, que supostamente seria a base mesma do processo educacional, é relegada, a se interpretar a obra, para um segundo plano. De importância primordial há o indivíduo a identificar-se num coletivo de oprimidos, que deve adquirir consciência do binômio básico de exploradores versus explorados numa “nova” roupagem, aplicada à educação, da teoria de luta de classes marxista.

Sem entrar em embates ideológicos pode-se afirmar logicamente, a se interpretar a abordagem da obra do patrono da educação brasileira, que esta remete a um projeto político, a uma reorganização da sociedade em moldes teóricos de esquerda, a um rearranjo das relações de poder mais do que a um projeto de aquisição de conhecimento objetivo e a consequente análise e intepretação intelectual das premissas do saber adquiridas.

Obviamente, “o investimento em educação” é importantíssimo. Mas se um esforço de maior aplicação dos recursos dos pagadores de impostos se dá num arcabouço pedagógico voltado mais para um projeto ideológico de rearranjo da sociedade, o investimento feito será, em tese, mais um reforço deste mesmo projeto antes que um agente de mudança do status quo educacional.

Pode-se se deduzir portanto que são necessárias mudanças estruturais, no sentido de “desideologizar” a abordagem vigente do sistema educacional. Apenas então, e certamente não apenas com mais recursos, poder-se-ia vislumbrar um possível salto positivo de qualidade no horizonte.

Uma brevíssima menção à Coréia do Sul, onde a abordagem educacional é muito mais voltada para a aquisição de conhecimento objetivo e factual do que ideológico-coletivista, serviria de inspiração para um debate sobre como melhorar a vexatória posição do Brasil no ranking internacional. Mas, enquanto a aquisição de conhecimento objetivo ainda for interpretada como uma “educação burguesa”, segundo os cânones de Paulo Freire, não há de se esperar mudança alguma seja o orçamento qual for.

Enquanto mudanças estruturais não ocorrem e o ensino, tanto básico como superior, seguir produzindo volumes de analfabetos funcionais engajados com uma agenda aspiracional distópica, baseada em dialética insuflada mais do que em real formação intelectual, não haveria, em tese, possibilidade de evolução positiva para o Brasil.

Há porém algumas ações que podem ser tomadas enquanto mudanças estruturais não ocorrem.

Nos Estados Unidos, que viu uma certa guinada ideológica coletivista em seu sistema educacional nas últimas décadas, ensaiam-se algumas medidas práticas que visam propor alternativas à uma possível tentativa de obtenção de hegemonia na formação educacional.

Entre elas pode-se destacar a diminuição de poderes do equivalente do Ministério da Educação (ou até mesmo a proposta em curso para sua extinção) para que o sistema educacional seja mais descentralizado e decidido mais localmente, em jurisdições independentes e soberanas, e portanto mais próximas dos anseios das famílias.

Outro fenômeno digno de nota é o aumento do “homeschooling”, ou o ensino doméstico exercido pelo pais (ou grupos de pais), que é reconhecido, seguindo-se algumas regras, pela administração pública com resultados que parecem ser majoritariamente positivos.

Finalmente, existe também o sistema de vouchers, um tipo de “cheque educação”, que dá a possibilidade aos pais mais desfavorecidos economicamente de escolher mais livremente a que escola (particular) desejam enviar seus filhos.

Há inclusive testes em curso no sul do país onde se estuda o fechamento de escolas públicas, principalmente as de resultados cronicamente baixos e produtoras de analfabetos funcionais, para permitir a liberação orçamentária de vouchers que permitam aos pais enviar seus filhos às escolas particulares de sua escolha.

A premissa básica, louvável, é que é a família, e não o Estado, quem deveria ter a primazia na decisão sobre que tipo de educação receberiam as crianças.            

Em resumo, o sistema educacional, em sua concepção e filosofia, necessita de reformas estruturais para que o Brasil avance. Sem elas o investimento de recursos será, em tese, improdutivo ou talvez até contraproducente.

E, enquanto estas reformas estruturais não ocorrem, há medidas práticas, pontuais, que podem ser pleiteadas para se estimular rompimentos, igualmente pontuais e localizados, com a atual tendência ideológica que, aparentemente, não permite ao país melhorar sua posição vexatória nos mais importantes rankings de desempenho educacional.  


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