O PENSAMENTO DO CLUBE MILITAR

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O PENSAMENTO DO CLUBE MILITAR:

“FAÇA A SUA PARTE”

 Gen Clovis Purper Bandeira

Editor de Opinião do Clube Militar

11 de abril de 2017

 

Um leitor de artigo publicado em 31 de março do corrente ano, na série “O Pensamento do Clube Militar”, escreve, indignado, cobrando mais ação e menos palavras por parte do Clube, no combate à situação calamitosa em que o País se encontra.

Em sua raiva, acusa os militares de covardes e omissos, por não tomarem o poder para resolver a questão. Reclama, inclusive por termos escrito que os militares aprenderam a lição.

A queixa de que o Clube Militar deveria fazer mais do que reclamar e publicar sua discordância com os fatos vergonhosos que nos levaram ao estado atual é compartilhada por alguns outros associados desinformados.

É difícil entender o que esperavam que o Clube fizesse: que saísse em passeata com seus 200 funcionários, pela Avenida Rio Branco ou pela Lagoa, para derrubar o governo e prender políticos e empresários desonestos e corruptos?

Somos uma instituição de direito privado, sem fins lucrativos, que pretende atender seus membros na parte social, esportiva, cultural e de lazer.

Não possuímos tropas para empregar, ou qualquer subordinação ou ligação funcional com as Forças Armadas, das quais não recebemos qualquer auxílio financeiro ou patrocínio.

Nossa Diretoria e a maioria de nossos associados militares – grande parte dos sócios é civil – são compostas por oficiais da reserva ou reformados, que também não comandam tropa alguma, embora expressiva parte do nosso quadro social seja constituída por militares da ativa.

Mantemos laços de estreita amizade, respeito e camaradagem com os companheiros da ativa. Foram nossos subordinados ou alunos nos longos anos que vivemos no serviço ativo.

Não nos cabe, contudo, a responsabilidade ou o direito de deles exigir qualquer tipo de conduta nos campos militar, político, ou qualquer outro. Conhecemos seu pensamento, sua dedicação e seu patriotismo, bem como as limitações legais que os restringem.

Manifestamos, através de artigos publicados na Revista do Clube Militar, que circula há mais de noventa anos, e em nossa página na Internet, as ideias que acreditamos expressarem aquelas da maioria de nossos associados, espalhados por todo o país, e que a cada dois anos elegem uma nova Diretoria para representá-los. Pelo retorno obtido, estamos conseguindo dar voz a esses mais de 38.000 brasileiros.

É claro que, em universo tão amplo, a pluralidade de pensar é normal e saudável. Não é possível agradar a todos, mas não podemos ser responsabilizados por ações ou omissões em âmbitos que não nos dizem respeito.

Assim sendo, o Clube Militar é tão covarde ou omisso, como entende o missivista, quanto qualquer outra associação congênere.

Dentro do possível, damos publicidade a nossos pensamentos e os compartilhamos com nossos amigos e sócios, esperando que os mesmos os difundam em suas redes.

Quanto à afirmação de que aprendemos a lição, referimo-nos ao revanchismo que agride as FA, em especial o Exército, com acusações, muitas delas infundadas e mentirosas, por terem atuado de maneira desassombrada na defesa da democracia e das instituições nacionais em 1964, impedindo a comunização do Brasil pela tomada do poder pela esquerda que pretendia transformar-nos numa grande Cuba.

Aprendemos a lição de que os que são rápidos em exigir a ação das armas esquecem-se mais rapidamente disso depois de passado o perigo, e não dizem uma só palavra em defesa dos que os protegeram na situação de necessidade. Não só isso, mas ainda elegem por diversas vezes, em todos os níveis e locais, os mesmos elementos que quase levaram o País à guerra civil, antes como agora, e que encheram seus bolsos, por muitos e muitos anos, com recursos roubados dos contribuintes.

Aprendemos que se agirmos antes do momento crucial, seremos transformados nos bandidos da história, enquanto os que infelicitam a nação continuarão a ser eleitos, com seus filhos, netos e comparsas, passando imediatamente a nos atacar e a reescrever os fatos da maneira que melhor lhes convier.

Assim, caro leitor, aja em vez de reclamar.

Participe das passeatas e manifestações públicas em defesa dos legítimos interesses nacionais. Reaja quando ouvir alguém, defendendo os desonestos que nos levaram à falência.

Não dê ouvidos ao canto da sereia dos sindicatos, partidos, ONG e demais organizações que se locupletam com a falta de governo ou no compadrio com o mesmo.

Defenda as ideias democráticas em sessões de clubes, no trabalho, nas festas, nas reuniões sociais de que participa, esclareça aos que não percebem o valor e o peso do voto de cada um, principalmente aos que o vendem barato e depois reclamam da qualidade do político que ajudaram a eleger.

Antes de reclamar da falta de polícia, tranque bem sua casa e a defenda com todas as suas armas. Não espere que alguém o faça por você.

Faça a sua parte.

 

 


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