O PENSAMENTO DO CLUBE MILITAR

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O PENSAMENTO DO CLUBE MILITAR

A SESSÃO DE NOVE DE NOVEMBRO DE 1889

- O OCASO DO IMPÉRIO -

Gen Gilberto Pimentel

Presidente do Clube Militar

08 de novembro de 2017

Livros didáticos e até mesmo documentos históricos que chegam às nossas mãos, em geral, estão longe de retratar com fidelidade o verdadeiro papel desempenhado pelo Clube Militar nos episódios da Abolição dos Escravos e na Proclamação da República.

Em ambos, considerável influência da entidade que com tanto orgulho integramos se fez sentir. O menos a admitir é que aqueles acontecimentos foram, dramaticamente, antecipados graças à ação patriótica e destemida de um punhado de idealistas que fundaram e dirigiram o Clube naqueles anos conturbados.

Da libertação dos escravos já nos referimos em outras ocasiões, quando destacamos o efeito demolidor da célebre carta enviada pelo Marechal Deodoro da Fonseca, nosso primeiro presidente, à Princesa Isabel, regendo o trono, num tom misto de petição e protesto manifestando a indignação dos militares, diante da iminência do emprego de tropas do Exército na caça aos escravos que em massa se evadiam das senzalas em busca de liberdade.

No mês em que comemoramos a República, cabe-nos relembrar aos associados a memorável Sessão de 9 de novembro de 1889, a assembleia mais importante em toda a história do Clube Militar.

A sede era então na Rua da Quitanda. Cerca de 40 oficiais – jovens na quase totalidade – pedem a convocação de “uma sessão extraordinária para tratar de assunto urgente e relativo aos direitos e garantias da classe”. O País se agitava em meio a grave crise política e social.

Deodoro recebe a petição e, despachando-a, diz: “Por ora, não há necessidade de reunir-se a sessão pedida”. Não indeferira, na verdade, a reivindicação, apenas adiava para melhor oportunidade o ato pretendido para aquele 16 de setembro do ano que seria o da República.

O adiamento soou inexplicável aos mais jovens em especial. Era, porém, a expressão da prudência e das responsabilidades que recaíam em circunstâncias tão difíceis nos ombros de um dos mais bravos chefes que tivemos.

Do mesmo pensar era Benjamim Constant, equilibrado sempre, incapaz de confundir revolta com revolução. E se admitia esta, condenava aquela. Não tenho receio da morte, dizia, mas, sinceramente, não me agrada o ridículo.

Não tardou, entretanto, a melhor oportunidade a que Deodoro aludira em seu despacho. Ia, por fim, se realizar a sessão onde as graves deliberações tomadas culminariam por determinar a queda do Império.

Vai presidir a assembleia de 116 militares o próprio Tenente-Coronel Benjamim Constant, vice-presidente do Clube, pois Deodoro, seu presidente encontrava-se enfermo. Não há, ainda hoje, na história do Clube Militar, notícia de ato mais solene do que o de 9 de novembro de 1889. Tão importante foi a assembleia, que muitos historiadores a classificam como a verdadeira certidão de nascimento da República do Brasil.

O mestre dos mestres, querido e respeitado, assume os trabalhos. Fala, emocionado e emocionando o auditório. Não é de eloquência preparada com fogo de palha. Sente o que diz. E diz o que pensa. Sabe, todavia, transmitir os seus sentimentos e ideias.

Não era secreta a reunião: janelas abertas, portas escancaradas.

Na Ilha Fiscal, na mesma ocasião em que se discutia os últimos dias do regime, ao compasso da música e da beleza dos salões, dançava toda a nobreza.

Muitos pedem a palavra depois de Benjamim. Sob aplausos, sempre, delega-se a ele, finalmente, a incumbência de representar o grupo e dar solução à crise. Como se fosse fácil. Então, dirigindo-se à plateia inflamada ele diz comovido: “Dentro de oito dias, as dificuldades que vão humilhando o nosso Brasil serão completamente resolvidas. Espero contar com a confiança dos que me cercam nessa hora.

Procurarei os homens mais eminentes do país e a todos falarei a verdade. Ao próprio Visconde de Ouro Preto direi que nossa terra vai rolando num abismo e é forçoso seguir outro rumo, o do Direito, o da Liberdade, o da Justiça. E se coisa nenhuma se conseguir, iremos à praça pública. De qualquer modo, não recuarei no caminho do meu dever e, satisfeito irei morrer nessa mesma praça pública em prol da Justiça”.

Ninguém teve dúvidas. O Império não iria além de 1889. O Exército estava a serviço da Pátria. E como o Exército, a Marinha. Ao lado e junto com eles o Clube Militar.


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