ORDEM É EDUCAÇÃO

 Topo documento [27jun17] Educação no Brasil

– EDUCAÇÃO NO BRASIL –

 ORDEM É EDUCAÇÃO

 

Aristóteles Drummond

 

A educação no Brasil peca, em primeiro lugar, pela falta de… educação. A situação caótica do ensino – com raras exceções de praxe, como as escolas militares e algumas privadas, normalmente de ordens religiosas – se deve ao ambiente instaurado sem ordem, respeito e compostura.

Na verdade, são professores que não respeitam o aluno, muito menos cátedra, com alto grau de absenteísmo, com o uso de roupas inadequadas para sala de aula. Tudo serve de pretexto para proselitismo ideológico, sempre no sentido da negação dos valores tradicionais da família brasileira em relação a um variado leque de temas. As universidades públicas se tornaram territórios tão dominados como as favelas do Rio ou São Paulo o são pelos traficantes. Impera o patrulhamento, o deboche, a indisciplina.

É preciso ressaltar que não faltam verbas para a promoção do bom ensino. Mas faltam, sim, vontade, comando, autoridade. Os governos são omissos e a sociedade age de forma irresponsável, pois não reage à doutrinação da juventude por ideais incompatíveis com a construção de uma nação progressista, socialmente justa, com liberdade e mérito.

Nesse vazio de autoridade, os alunos não mais respeitam os professores, sendo usuais as agressões. Seitas de cunho ideológico usam da vida acadêmica para a pregação revolucionária e o constrangimento dos que buscam nos educandários, em todos os níveis, aprender para construir uma carreira e exercer a correta cidadania. Estes não têm apoio.

O Colégio Pedro II, uma referência de qualidade desde a sua primeira unidade, construída sob inspiração pessoal do então Imperador Pedro II, recentemente chocou a todos pela divulgação dos atos de pregação revolucionária e de conceitos éticos e morais discutíveis. E isso é só um exemplo do quanto somos todos responsáveis por esta situação no ensino. Outro, pouco divulgado, e infelizmente sem a reação da comunidade de ex-alunos, de oficiais da Marinha do Brasil e dos professores independentes, foi o ato de mesquinharia praticado no governo anterior (e mantido no atual) da retirada do nome do Almirante Augusto Rademaker de um dos pavilhões da unidade de São Cristóvão, no Rio. O fato grave de desrespeito não tem justificativa, uma vez que o ilustre brasileiro foi aluno do Pedro II, manteve ligação ao longo da vida com a instituição, tendo dirigido a Associação de Ex-alunos do Pedro II, e quando vice-presidente da República, eleito pelo Congresso Nacional, intercedeu pela liberação dos recursos para a construção do referido pavilhão. Nada mais justo e justificável. Pois o ódio da direção de então levou à atitude mesquinha. E, lamentavelmente, impune.

Temos de libertar o magistério brasileiro dessa dominação e do clima que nos impede de formar bons brasileiros. Precisamos de melhores salários, um currículo moderno, políticas na busca de bons resultados, e não na demagogia. A começar pela aberração de que, nas universidades públicas, a maioria ainda é de classe média para cima, que estuda de graça, enquanto os mais modestos são maioria nas particulares. Seria um investimento mais eficiente a distribuição de bolsas nas escolas privadas, o que favoreceria, inclusive, uma maior integração de diferentes segmentos de nosso povo.

Por fim, lembro que, quando apresentava um programa na Rede Vida de Televisão, entrevistei o senador Cristovam Buarque, ex-reitor da Universidade de Brasília e ministro da Educação no primeiro governo Lula. Indaguei se o Ministério da Educação teria tido, em algum momento, bons titulares. E ele, de pronto, respondeu, com dignidade, que admirava a gestão de dois ministros do governo do presidente João Figueiredo: o general Ruben Ludwig e a professora Esther de Figueiredo Ferraz. Depois do programa, ele me disse que se esquecera do senador Jarbas Passarinho. Curioso ser um oponente do período autoritário fazer justiça. Ainda mais porque sabemos que a educação no Brasil é hoje um problema político. E ideológico.

 

Aristóteles Drummond é jornalista e escritor.

 

 

 


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