PENSAMENTO DO CLUBE MILITAR

QUESTÃO DE ESCALA

Já tivemos um Ministro de Estado que pensava que o cão também era um ser humano, e que caiu em desgraça por se ver envolvido num desvio de 50 mil reais. Parece mentira: o homem, que se considerava “imexível”, perdeu o cargo por apossar-se de uma quantia que, atualmente, é considerada gorjeta.

Nos últimos dias estamos assistindo, sem grande surpresa, aos reflexos da crise da FIFA, que, por certo, respingará na CBF. Cartolas das mais elevadas foram flagradas, após longas investigações dirigidas pelo FBI americano, como responsáveis por conchavos, negociatas e tráfico de influência envolvendo escolha de sedes das copas mundiais, venda de publicidade e exclusividade de transmissão de eventos esportivos patrocinados pela bilionária entidade.

Meu vizinho diz, como é comum até entre autoridades brasileiras, que isso é normal, que sempre foi feito e que agora as denúncias surgiram porque houve discordância quanto à divisão do butim – ou seja, como sempre houve e sempre haverá roubo, ele está justificado, é inútil procurar os criminosos.

Ele também se ofende pelo fato de as investigações estarem a cargo, pelo menos parcialmente, do FBI, como se o órgão fosse suspeito apenas por ser americano. Segundo ele, os gringos não têm porque se meter na seara alheia e estão se portando como polícia do mundo. Na verdade, estão investigando crimes cometidos por americanos ou que afetam empresas e investidores americanos onde quer que estejam. Se mais países assim agissem, haveria menos impunidade e menos santuários dando refúgio a crápulas internacionais.

Pelo que foi publicado até agora, o total do roubo – e não malfeito, como minimizam alguns – atinge muitas centenas de milhões de dólares.

Mais uma vez o mundo se curva frente ao Brasil: só no petrolão, a corrupção reconhecida oficialmente passa de seis bilhões de reais, ou dois bilhões de dólares. E nem tudo foi confessado e devidamente escriturado, todos têm certeza de que o total é bem maior, o resultado oficial é apenas uma satisfação à opinião pública e uma necessidade contábil para que o balanço trimestral da Petrobrás seja aceito pelo mercado. E ainda faltam os escândalos dos Transportes, da Saúde, do BNDES etc.

No salto de 50 mil para seis bilhões de reais, sem dúvida, vai um grande aprendizado e longa prática.

Os larápios de colarinho branco das grandes instituições do primeiro mundo ainda têm que se esforçar muito para atingir a escala brasileira de corrupção. Talvez aí esteja um nicho de oportunidade para que os afamados “consultores” nacionais vendam sua expertise aos esforçados escroques de outras plagas.

Tudo é uma questão de escala. É preciso pensar grande.

 12 de junho de 2015

Gen Clovis Purper Bandeira – editor de opinião do Clube Militar

 

 


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