POR UMA EDUCAÇÃO SEM APROPRIAÇÃO IDEOLÓGICA

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- EDUCAÇÃO NO BRASIL -

POR UMA EDUCAÇÃO SEM APROPRIAÇÃO IDEOLÓGICA

 

“Mandai educar o vosso filho por um escravo e, em lugar de um escravo, tereis dois” (adágio grego da Antiguidade).

 

General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva

 

 

É por isso que cidadãos livres, altivos, com mentes abertas e cientes de seus compromissos com a democracia, a nação e os irmãos, e não com ideologias sectárias e radicais, jamais seriam formados por mentes escravizadas a ideologias dogmáticas, que não admitem o contraditório, e submetidas à lavagem cerebral por elas promovidas.

Porém, a partir dos anos 1960, a ideologia socialista foi abarcando a educação nacional. Enquanto o país enfrentava, no nível político-militar, tentativas de implantação desse regime pela via pacífica de orientação soviética, até 1964, e pela via violenta de linhas chinesa ou cubana, de 1966 a 1977, outra estratégia bem mais perigosa, a gramcista, infiltrou-se sorrateira, extensa e intensamente, controlando o ensino e a cultura no Brasil.

O pensamento socialista cingiu a docência e influenciou fortemente o âmbito discente, por meio da massificação ideológica, nos terrenos das ideias e ciências, e da subversão, na esfera dos valores morais e éticos. Houve queda acentuada dos níveis de conhecimento, cultura e civismo de seguidas gerações. O desempenho de universidades e estudantes brasileiros nas avaliações em ciências dos ensinos fundamental, médio e superior é desastroso e o país vive uma prolongada e corrosiva crise de valores, que assola a família, a sociedade e nossas lideranças, solapando a coesão nacional.

Este artigo denuncia, com foco na campanha de desinformação sobre o regime militar, o ensino da história recente do país como ação estratégica de uma revolução socialista permanente. Ela nasceu com a criação do Partido Comunista Brasileiro (1922) e se fortaleceu ao dominar o ensino e promover o revisionismo da História Pátria, enquadrando-a no âmbito da luta de classes. Foram depreciados heróis e conquistas do passado, substituídos por militantes de movimentos sociais e versões deturpadas de relevantes feitos históricos, repaginados segundo os propósitos da citada revolução.

Eis alguns exemplos da ideologização do ensino sobre a história recente do país.

Em Salvador – BA, a escola estadual General Emílio Garrastazu Médici teve seu nome trocado para Carlos Marighella. Na solenidade (2014), o então governador Jaques Wagner se referiu a Marighella como sendo um apaixonado pela liberdade[1]. Pois esse amante da liberdade assim escreveu em seu Manual do Guerrilheiro Urbano: “o guerrilheiro urbano tem que se fazer mais agressivo e violento, girando em torno da sabotagem, terrorismo, expropriações, assaltos, sequestros e execuções”[2]. É esse o exemplo com que pretendem inspirar futuras gerações?

No Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (2009) consta: “em ato oficial coordenado pelo Presidente da República, foi lançado, [-] o livro-relatório ‘Direito à Memória e à Verdade’ [-] história das vítimas da ditadura no Brasil. A trajetória de estudantes, profissionais liberais, trabalhadores e camponeses que se engajaram no combate ao regime militar aparece como documento oficial do Estado brasileiro. [-] Serão distribuídas milhares de cópias desse material [-] para estudantes de todo o País”[3]. Assim, militantes pela implantação de uma ditadura totalitária comunista serão heróis nacionais. Isto é, terroristas, assassinos, sequestradores e torturadores serão exemplos para estudantes, enquanto os que os combateram serão os vilões, como se em conflitos ideológicos violentos houvesse os mocinhos e os bandidos dos filmes de ficção.

O cidadão precisa avaliar se o Estado defendeu a nação contra grupos armados foras da lei, que queriam implantar uma ditadura totalitária comunista, ou se perseguiu idealistas combatentes da liberdade. Deve comparar a conduta do regime militar, que derrotou a luta armada e anistiou seus militantes, com o banho de sangue promovido pela esquerda socialista revolucionária nos conflitos em que ela venceu. Deve julgar se uma guerra revolucionária precisa ser cortada na raiz, avaliando conflitos como o da Colômbia, com 200 mil mortos desde os anos 1960; os da América Central, com cerca de 300 mil mortos entre 1980 e 1995; e os do Peru, Argentina, Uruguai e Chile, com milhares ou dezenas de milhares de mortos nos anos 1970. O regime militar neutralizou a luta armada no nascedouro, com cerca de 500 mortos, sendo 400 da esquerda revolucionária. Um alto custo para poucas famílias, mas muito baixo para a nação. Ao conhecer distintas versões, o cidadão julgará se foi melhor: não ter vivido o mesmo drama daqueles países; não ter um parente convocado para combater a guerrilha comunista, ao invés de estudar e estar com a família; e não ter de viver sob um regime como o cubano, chinês ou soviético.

Hipocrisia e mentira têm que ser combatidas com perseverança, fé, coragem e vigor. O espaço do sistema de ensino e cultura precisa ser dividido entre todas as correntes, ideológicas ou não, e sem patrulhamento. Assim, o cidadão formará seu próprio juízo de valor, avaliando erros, acertos e violações ou violências legítimas, porventura cometidas por todos atores que fizeram a história. Assim acontece nas autênticas democracias.

 



[2] Disponível em https://www.documentosrevelados.com.br/wp-content/uploads/201… (pág.58). Acesso em 12 de junho de 2017.

[3] Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Decreto/D7037.htm (Eixo Orientador VI – no preâmbulo). Acesso em 12 de junho de 2017.


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