PRECISAMOS APRENDER A SER BRASILEIROS COMO ELES

PRECISAMOS APRENDER A SER

BRASILEIROS COMO ELES

 

Luciana Corrêa Tôrres de Oliveira

Juíza de Direito do TJDFT

Titular da 2ª Vara de Execução de Títulos Extrajudiciais e

Conflitos Arbitrais da Circunscrição Judiciária de Brasília

08 de agosto de 2019

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Tive o privilégio de ser convidada pela Força Aérea Brasileira e o Exército Brasileiro para uma visita institucional de três dias à Amazônia, juntamente com membros do Poder Judiciário e órgãos essenciais à Justiça. Volto maravilhada!

 Mas o meu deslumbramento não decorre das belezas naturais da região, incontáveis e vistas por muitos por meio de fotografias, filmagens e até mesmo visitas àquela área. O que me encantou foi a superação das dificuldades, a dedicação de homens e mulheres militares, os serviços prestados à Nação brasileira, ao povo humilde, carente e sofrido.

1111Chegar à região conhecida como “Cabeça do Cachorro”, próximo à divisa do Brasil com a Venezuela (se olharmos no mapa do Brasil, a divisa faz um desenho parecido com uma cabeça de cachorro), numa base militar chamada Maturacá, somente foi possível pela ajuda da Força Aérea. Lá se encontra instalado o 5º Pelotão Especial de Fronteira, isolado de tudo e de todos por causa da Floresta Amazônica. Porém, por mais distante que seja do chamado “mundo civilizado”, o povo que lá reside, os yanomamis, não estão esquecidos. O Exército zela por eles e lhes provê educação, saúde, cidadania e uma sensação de pertencimento.

Em contrapartida, os tuxauas (chefes de tribos) ajudam na preservação e patrulhamento do território. 

A interação e carinho entre o Coronel no comando do 5º PEF e o Cacique Antônio, o respeito e consideração dos oficiais e os demais tuxauas, a preocupação em atender às necessidades da população indígena da região (cerca de 23 etnias), tudo isso traz imensa emoção, porque ilustra o verdadeiro significado da palavra “servir”. 

É o que o militar faz. SERVE.

Para que as Forças Armadas estejam na fronteira, tudo se inicia com o sacrifício de deixar por um longo período de tempo sua família, o conforto de uma vida em cidade, para ser alocado em um lugar remoto e rústico. Em seguida vem o treinamento árduo, difícil e rigoroso, as incontáveis missões.

Mas ao olhar cada um deles, ou ouvir se expressarem, chega-se a apenas a esta conclusão: o sacrifício decorre da certeza de que o que importa é o país e as suas necessidades e que vale a pena passar por todas as vicissitudes em prol da nação e de seu povo.

O orgulho de ser um cidadão, um brasileiro, se sobrepõe e sombreia as dificuldades e justifica a luta diária em prol de um bem maior: a soberania.

Não se pode esquecer, também, de mencionar o bem que as Forças Armadas trazem à população residente nas proximidades de uma base militar. É mais uma prova da aplicação do lema “servir”.

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Com os militares vem o acesso à saúde, resgate e salvamento, educação, desenvolvimento e infraestrutura.

E então eu me deparo com a “Oração do Guerreiro da Selva”, que em seus versos pede ao Altíssimo, “a sobriedade para persistir, a paciência para emboscar, a perseverança para sobreviver, a astúcia para dissimular, a fé para resistir e vencer”.

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Tenho os olhos marejados de lágrimas com o canto do guerreiro que, em face da morte e na hora da dor, se fortalece na coesão da tropa. Com o desprendimento do soldado, a prontidão de sacrificar a própria vida em benefício da pátria. Com a sua sinceridade e a entrega ao cantar vigorosamente o Hino Nacional, declarando o comprometimento com a luta pelo país e o destemor da morte se assim for preciso.

Tudo isso traz a reflexão de que as Forças Armadas exercem um papel primordial para o país e que seu exemplo deve ser seguido por todos nós cidadãos brasileiros, pois nas forças militares exercita-se e vivencia-se o verdadeiro patriotismo.

E, assim, com humildade e gratidão imensa pela oportunidade de testemunhar a grandiosidade do serviço militar, peço licença para honrar as Forças Armadas com o brado do guerreiro: SELVA!!!

 

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