PRIORIDADE PARA A EDUCAÇÃO

Topo documento [27jun17] Educação no Brasil

- EDUCAÇÃO NO BRASIL -

PRIORIDADE PARA A EDUCAÇÃO

A Educação é a arma mais poderosa que temos para mudar o mundo.

(Nelson Mandela)

Ana Amélia Lemos

Senadora PP-RS

 

O cenário da Educação no Brasil é pouco animador. Atualmente, oito em cada dez alunos chegam ao final do 9º ano sem compreender matemática no nível adequado, 22% dos estudantes ainda não estão plenamente alfabetizados ao final do 3º ano e quase dois milhões de estudantes na faixa dos 14 aos 17 anos estão fora da escola. No desempenho do Pisa de 2015, o programa internacional de avaliação de estudantes, realizado a cada três anos, o Brasil ficou na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª em matemática entre as 72 nações participantes.

Entretanto, é preciso reconhecer os esforços dos governos, nas três esferas da Federação, para colocar a Educação pública em outro patamar. O acesso ao ensino fundamental é quase universal e passou a ser obrigatório, também, no ensino médio. Mais recursos foram destinados ao ensino básico nos municípios com a criação do Fundef (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), a reforma do ensino médio ampliará a carga horária, incentivando o ensino integral, entre outros avanços. São, porém, conquistas insuficientes para colocar o Brasil no caminho de nações como a Coréia do Sul e o Vietnã, que superaram as sequelas das guerras em que se envolveram e fizeram do investimento em Educação o principal motor para o desenvolvimento econômico e social. Tive oportunidade de visitar os dois países, em missões oficiais, quando pude constatar o quanto a prioridade à Educação contribuiu para a prosperidade e, consequentemente, para melhorar a qualidade de vida de suas populações.

Constata-se, especialmente, que uma parte importante dos avanços na Educação nesses países passa pela valorização dos professores, com pesados investimentos na formação e no aperfeiçoamento desses profissionais. Na Coréia do Sul, por exemplo, cerca de 5% do PIB é investido em Educação. Boa parte dos recursos são alocados na capacitação de professores e em material de apoio e melhorias na estrutura das escolas. No Vietnã, o papel conferido aos mestres vai além das lições em sala de aula, incluindo funções de apoio ao estudante com objetivo de dar suporte e bem-estar a esses jovens. Por isso, não surpreende o excelente desempenho dos jovens vietnamitas no último Pisa, quando superaram estudantes de países desenvolvidos, como Estados Unidos e Inglaterra.

Com base nesses exemplos, e teria muitos outros, reforço o convencimento de que a valorização dos professores representará papel fundamental na melhoria que se pretende para a Educação Pública brasileira. Insisto em grafar com inicial em caixa alta pela importância que confiro a esse tema que carece de prioridade no país. Sem expandir em demasia essa análise, uma vez que o tema Educação se presta a muitas abordagens, pretendo focar em algumas questões relacionadas ao magistério.

Em nosso país, faz muito tempo, a Educação deixou de ser área de interesse de jovens em busca de um futuro profissional. As condições de trabalho são precárias e os salários baixos e defasados. Com isso, pouco a pouco se dissipa a esperança de prosperidade individual para quem é vocacionado para o magistério. Esse desmantelamento vem acarretando graves prejuízos na qualidade da Educação, com permanente desvalorização dos professores e de sua carreira, sem uma ação planejada e avaliada pelos governos para reverter quadro tão adverso. Além de tornar a docência no ensino fundamental e médio atrativa, é necessário um forte investimento na capacitação dos professores para que se mantenham motivados e possam transmitir aos alunos a formação e os valores que contribuirão para alcançarmos resultados positivos de desenvolvimento.

Nesse sentido, permito-me repisar alguns caminhos, entre os quais o da criação de um vigoroso programa de formação de professores, que possa cooptar talentos para o magistério, e a qualificação dos atuais profissionais da rede de ensino em todos os níveis; proporcionar aos educadores equipamentos que facilitem o acesso às novas tecnologias e à informação; investir na criação de cursos de formação continuada, vinculados à qualificação da aprendizagem, com resultados mensuráveis; instituir programa de qualificação de recursos humanos para os profissionais que atuam em Educação especial para a formação de uma cultura inclusiva nas escolas; fortalecer, com professores especializados, o ensino técnico profissionalizante, fundamental para diversos setores produtivos e direcionador a alunos qualificados para o mercado de trabalho; ampliar ainda mais a rede de escolas de tempo integral, oferecendo atividades para reforço e recuperação escolar, além de programações culturais, esportivas e de lazer, afastando os jovens da ociosidade, da marginalidade e do crime.

A essas medidas devemos associar a participação no processo de toda a comunidade escolar, dos gestores públicos, das organizações da sociedade civil para somar esforços e colocar a Educação como agenda prioritária no país. Recursos existem – o Brasil investe mais de 6% do PIB em Educação! É preciso qualificar o gasto para qualificar o ensino público. Só assim podemos virar o jogo e, diferente das tristes estatísticas da abertura deste artigo, consigamos apresentar dados que nos orgulhem nas avaliações internacionais. Mais do que isso, que proporcionem um futuro melhor para os nossos jovens e para o nosso país.

Por outro lado, a qualificação da Educação Pública servirá também de antídoto à doutrinação ideológica nas escolas. A doutrinação em sala de aula, que ganhou corpo no sistema de ensino, ofende a liberdade de consciência do estudante, afronta o princípio da neutralidade política e ideológica do Estado e promove, de forma desigual, a cooptação política e partidária dos jovens. É uma prática antiética e inconveniente. Os pais, especialmente, devem estar atentos a ela, uma vez que em nada contribui para o crescimento pessoal e educacional de seus filhos. É importante que seja assegurado aos estudantes o direito de não serem doutrinados por professores mais preocupados na defesa da ideologia e menos com o conteúdo programático. O papel formador da escola precisa ser preservado por uma questão de cidadania e de respeito ao regime democrático. É a Educação que muda o mundo, como ensinou Mandela, e não a doutrinação ideológica nas escolas.


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