REFORMA DO ENSINO MÉDIO, CONTEÚDO, AVALIAÇÃO

Topo documento [27jun17] Educação no Brasil

- EDUCAÇÃO NO BRASIL -

  REFORMA DO ENSINO MÉDIO, CONTEÚDO, AVALIAÇÃO

Conversando com uma universitária se a reforma era debatida em sala de aula, respondeu-me que não, somente sobre a

PEC 55. Pobre Brasil, conduzido pela ideologia.”

 

Ernesto Caruso

 

Comecemos pela língua portuguesa, idioma oficial da República, conforme Art. 13 da Constituição de 1988, e uma das matérias obrigatórias pela Medida Provisória 746, 22/09/2016 que trata da reforma do ensino médio.

Falar, escrever e entender são as necessidades dos alunos e os objetivos de quem se propõe a ensinar um idioma. Em termos nacionais, os resultados são bons? Nossos alunos falam, escrevem e entendem o idioma pátrio no nível desejado? Se não, quais as causas?

No Exame Nacional do Ensino Médio em 2015, 53.032 participantes tiraram nota zero na redação; em 2014, foram 529.373 com esse lamentável resultado.

Já o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA-2012) demonstra que o desempenho em leitura piorou entre os anos de 2009 e 2012. Brasil, 410 pontos, 86 abaixo do primeiro colocado, 55ª posição dentre 65 países/economias. Abaixo do Chile, Uruguai, Romênia e Tailândia. Cerca de 50% dos alunos brasileiros não alcançam o nível 2, sendo que o nível máximo é 6, a demonstrar dificuldade de compreensão de texto.

 Programa_Internacional_de_Avaliação_de_Alunos_PISA_2012

Em Matemática, 391 pontos, 58ª/65 posição e em Ciências, 405 pontos, 57ª/65. Ou seja, a educação no Brasil está “bem”… na rabeira.

Em relação a outros idiomas, repete-se tal cenário?

Pelo distante Dec-Lei Nº 4.244/1942, Art. 11, no Ginásio, 1ª série: Português, Latim, Francês… 2ª, Português, Latim, Francês, Inglês… 3ª, Português, Latim, Francês, Inglês… 4ª, Português, Latim, Francês, Inglês…

E pelo Art. 15, no Curso Científico: 1ª série: Português, Francês, Inglês, Espanhol. 2ª, Português, Francês, Inglês… 3ª, Português…

A duração dos cursos não difere da atual; primário, admissão ao ginásio, ginásio (4+1+4=9 anos), hoje, ensino fundamental e, científico/clássico (hoje, ensino médio, 3 anos).

Há que se pensar em flexibilizar a distribuição das matérias por curso e interesse do aluno (liberdade que a ideologia esconde), como previsto na MP e quem sabe, até abolir a avaliação dos alunos em determinadas disciplinas ou conteúdos, fazer trabalhos e debatê-los em sala de aula. Metas para os professores. Ensinar é como produzir. Na primeira semana todos os alunos devem escrever e identificar as letras a, e, i, o, u. Despertar o interesse pela leitura na sala de aula. Professor comentando e corrigindo, ainda que passeando por expressões como anacoluto, mesóclise, hipérbato, zeugma, aliteração. Agora, formular tal questão no vestibular “A catacrese, figura que se observa na frase “…”, ocorre em:…”.

O processo de reestruturação do sistema escolar não pode se restringir em aumentar a carga horária e manter e/ou suprimir matérias, mas também na profundidade como devem ser exploradas, bem como o método de avaliação do ensino em especial ao nível de perguntas que sobrecarregam os alunos com conceitos e exigências típicos da “cultura inútil”, às vezes, sob impulso da valorização da disciplina e/ou ego do mestre, principalmente daquele que adora reprovar.

Um academicismo em dissonância com a realidade da preparação para a vida. Ora, estudar um idioma por 5, 10 anos e não saber falar, redigir e compreender um texto. Não é frustrante?

No passado comentava-se que os “americanos” confundiam a capital do Brasil como sendo Buenos Aires e não Rio de Janeiro. Quiçá o esforço do ensino do tio Sam não fosse decorar as capitais de todos os países do mundo e cobrar do aluno nas provas.

Quantas gerações tiveram que responder ao mestre “Quais os afluentes da margem direita do rio Amazonas?”. Óbvio que memorizar é impositivo na vida, mas que não sirva somente para a competição.

As reformas não podem se restringir a alterações nas denominações dos cursos. Nem se pretender que o país imponha uma porta estreita por onde só passem os superdotados que decoram catálogos telefônicos.

Importante. Que a sociedade reflita sobre a desconstrução da autoridade que detinham os mestres do passado. Eram respeitados e os alunos os recebiam em pé nas salas de aula. Não se via aluno agredindo o professor, nem era notícia de jornal.

Após a apreciação acima, saíram os resultados da edição do PISA/2015, agora com 70 participantes e o Brasil piorou. Matemática, de 391 pontos para 377, da 58ª posição para 65ª; Leitura, de 410 para 407, da 55ª para 62ª; Ciências, de 405 para 401, da 57ª para 63ª. Distância de Singapura/1ª posição, respectivamente: 564, 535 e 556.

A questão vai muito além do investimento financeiro a exigir profunda reflexão na metodologia do ensino.


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