ARTIGO / NOTÍCIA

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A suprema traição

A suprema traição

Sérgio Pinto Monteiro

Uma lista dos indivíduos mais execrados da humanidade certamente incluiria os traidores entre os primeiros dessa sinistra relação. O maior deles, Judas Iscariotes, representa o mais degradante perfil da condição humana, onde a infâmia da traição atingiu o seu ápice. Judas lidera um repugnante cortejo onde despontam: Marcus Brutus, assassino do seu pai adotivo, o imperador romano Júlio César (“até tu, Brutus?”), Benedict Arnold, considerado o maior traidor da história norte-americana, Guy Fawes, da Grã-Bretanha, conspirador que no século XVII planejou explodir a Câmara dos Lordes e o Parlamento Britânico e, mais recentemente, Vidkun Quisling, fundador do partido pró-nazista da Noruega e Aldrich Ames, da CIA que se vendeu à KGB, além de muitos outros ícones da sordidez, a maioria deles executados por seus crimes e alguns buscando a fuga através do suicídio. No Brasil Colônia, entre outros traidores, Domingos Fernandes Calabar, que se aliou ao invasor holandês, e Joaquim Silvério dos Reis, delator da Inconfidência Mineira, que levou Tiradentes à forca.
A história mundial registra uma unânime repulsa à figura detestável e odiosa do traidor e total ojeriza às suas ações deletérias. Trair será sempre uma atitude indefensável em sua essência, independente do grau de malefícios que dela possam resultar. Se um indivíduo, uma instituição pública ou particular, civil ou militar, estabelecem uma relação de confiança mútua com seus parceiros, superiores, subordinados ou colaboradores, não serão ética e moralmente aceitáveis quaisquer procedimentos, sub-reptícios ou explícitos, que violentem a confiabilidade acordada entre as partes.
No atual cenário político-institucional brasileiro, tais conceitos e valores caíram em total desuso. A traição talvez seja a mais usual ferramenta - ou arma - utilizada por políticos, governantes, administradores, magistrados ou mesmo instituições, na busca de suas metas e objetivos, nem sempre republicanos e confessáveis. No Brasil de hoje, há o que poderíamos definir como uma sensação de insegurança generalizada, provocada, entre outros, pelo notório rompimento do arcabouço jurídico básico da nação, fundamentado na Constituição Federal. O Poder Judiciário, especialmente a Corte Suprema, desestabilizou o sistema de pesos e contrapesos previstos na Carta Magna através dos preceitos de independência e harmonia entre os poderes da República. A Corte, monocrática ou coletivamente, tem usurpado competências do Legislativo e do Executivo, interferindo, indevidamente, em ambos os poderes, fato apontado por inúmeros juristas altamente qualificados. Simbolicamente, parece que o STF adota uma corruptela jurídica da chamada ideologia de gênero, ou seja, “nasceu guardião da Constituição, mas se sente Poder Moderador”. Neste esdrúxulo contexto, o STF denuncia, investiga, julga, legisla e governa. O Presidente da República, eleito pelo povo, não mais preside na forma prevista na Lei Maior e seus complementos, manietado, parcialmente, pelo órgão que deveria, apenas, assegurar o fiel cumprimento da Constituição. Por sua vez, o Congresso Nacional, onde inúmeros parlamentares têm pendências processuais sob a jurisdição do STF, mostra-se incapaz de se autoafirmar, em especial o Senado Federal que, intimidado, se omite da sua missão constitucional de apreciar e decidir sobre pedidos de impeachment de ministros da Corte Suprema.
Não nos resta senão concluir que traidores encarapitados nos demais poderes da República submetem o Executivo a uma verdadeira camisa de força, apesar do Presidente da República, por palavras, atitudes e procedimentos, manter-se fiel à Democracia, à Constituição e ao Estado de Direito. A resultante dessa traição poderá ser a destruição da liberdade, do direito de opinião, da livre expressão do pensamento e de todos os princípios e valores éticos, morais e religiosos que forjaram a nacionalidade brasileira. O Brasil, sob ataque, assiste, perplexo, à SUPREMA TRAIÇÃO. A Pátria e o povo brasileiro, sob o manto protetor do Deus Todo-Poderoso, Senhor dos Exércitos, tendo a seu lado as FORÇAS VIVAS DA NAÇÃO, seus braços fortes e mãos amigas, haverão de derrotar os traidores do Brasil, herdeiros sinistros de Judas, Calabar e Silvério dos Reis.

“UM DIA SERÁ PRECISO PARAR DE OBSERVAR, ANALISAR E PLANEJAR.
SERÁ O DIA DE AGIR, PARA RESOLVER”
(Sérgio P. Monteiro)

*o autor, 81 anos, é professor, historiador e Oficial da Reserva do Exército. É membro da Academia Brasileira de Defesa, da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do Instituto Histórico de Petrópolis. É fundador, ex-presidente e Patrono do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva. É presidente do Conselho Deliberativo da ANVFEB e vice-presidente da Liga da Defesa Nacional - RJ. O artigo é pessoal.

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