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O Pensamento do Clube Militar

O Pensamento do Clube Militar

Clube Militar

Rio de Janeiro, 04 de janeiro de 2015

Gen Gilberto Rodrigues Pimentel - Presidente do Clube Militar

“Democracia? Não, o Governo que Vivemos não a Pratica”

O Tribunal de Contas da União (TCU) é um tribunal administrativo. Julga as contas dos administradores públicos e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos federais bem como as contas de qualquer pessoa que der causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário, tudo de acordo com o Art 71 da Constituição Federal.
Compõe-se de nove ministros. Seis deles são indicados pelo Congresso Nacional, um pelo presidente da República (PR) e dois, escolhidos entre auditores e membros do Ministério Público que funciona junto ao Tribunal.
Cabe ao Tribunal, dentre as suas múltiplas atribuições, apreciar as contas anuais da PR. Essas contas, porém, necessariamente, são votadas pelo Congresso que pode, simplesmente, ignorar o parecer do TCU. Há, pois, uma componente política decisiva na análise das contas que não pode ser desconhecida e que está prevista também na nossa legislação.
Em outubro de 2015, o órgão fiscalizador, por unanimidade, rejeitou as contas do governo.

É importante destacar que desde 1937 tal fato não ocorria com relação ao Executivo. Em princípio, logicamente, depreende-se que algo de muito grave ocorreu no gerenciamento das nossas finanças.
Seguindo o trâmite legal, o senador Acir Gurgacz, governista, nomeado relator do caso, com uma canetada entregou à Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso seu parecer sobre o caso. Ignorou todas as irregularidades apontadas pelo TCU e recomendou aprovação das contas.
Com isso, se confirmado o parecer do senador pela CMO, anula-se um dos principais argumentos daqueles que são favoráveis ao processo de impeachment da presidente Dilma Roussef.
Mas quem é o senador Acir Gurgacz? É importante saber. Ele é réu em processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) por supostos crimes financeiro e de estelionato. Deveria esse senhor estar à frente de um problema de tal gravidade e complexidade? E o senador ainda diz, candidamente: “é estranho que estes fatos venham novamente à tona no momento em que sou indicado para relatar as contas do governo federal de 2014”. Será que não lhe ocorreu declarar-se impedido? Que nada! Desconhecem totalmente o significado da palavra  ética.
E os absurdos não param por aí, quatro dos nove ministros do TCU que julgaram as contas de Dilma Roussef, incluído o relator, ministro Augusto Nardes, são citados em investigações de crimes diversos e dois são formalmente investigados no STF, pois têm foro privilegiado. Ou seja, está tudo de pernas para o ar. É mesmo o caso de se perguntar: “que país é este gente?”     Como chegamos a tal ponto de degradação?
Ao apagar das luzes de 2015, mais um “presente de grego” do governo ao povo brasileiro:  anunciou o pagamento de R$ 55 bilhões referentes às chamadas pedaladas fiscais de 2014. Na realidade, R$ 72 bilhões se considerarmos os R$ 15 bilhões anteriormente pagos. Ou seja, crime admitido e quitado, uma vez mais, com o nosso dinheiro. 2016 inicia com o maior rombo da história. Um resultado negativo de R$118,5 bilhões.

Saúde, educação e emprego para os mais carentes que o lulopetismo com hipocrisia jurava ser sua bandeira? Nunca foi…, a única ambição real deles é a perpetuação no poder. E no momento, a presidente tem apenas um objetivo: tentar desmobilizar o processo de impeachment em andamento. Veremos se conseguirá.
Por fim, uma reflexão que na verdade era o objetivo maior deste artigo: será que devemos aceitar como fatalismo ser governados por gente desse nível? Não acham que quando o voto confiado a políticos e governantes é traído ele nada mais significa em termos de compromisso cidadão? Uma Democracia de fato, não admite que delinquentes ocupem o poder. Ou então que a forma de governo mude de nome.

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